O Espaço de Concertação das Organizações da Sociedade Civil e a Frente Popular condenaram a recente vaga de ataques terroristas que atingiu a República do Mali, classificando-a como uma das mais graves ofensivas registadas no país nos últimos anos.
Em comunicado conjunto, consultado por O Democrata, as duas organizações afirmam que os ataques revelam o “nível extremo de violência e audácia” dos grupos armados envolvidos.
As plataformas alertam que este novo ciclo de violência ocorre num contexto já marcado por ataques recorrentes na região do Sahel, que afetam igualmente países como Burkina Faso e Níger. Contudo, sublinham que a dimensão e o grau de coordenação desta ofensiva aumentam significativamente o risco de desestabilização não apenas do Mali, mas de toda a África Ocidental.
No documento, as organizações expressam solidariedade para com o povo maliano e apresentam condolências às famílias das vítimas. Ao mesmo tempo, criticam a atuação da CEDEAO e da União Africana, acusando-as de uma resposta “insuficiente”, limitada a declarações formais sem impacto efetivo no terreno.
Entre as principais exigências, destacam a mobilização urgente de um contingente africano para restaurar a segurança nas zonas afetadas, bem como o apelo às autoridades de transição malianas para a promoção de um diálogo nacional inclusivo, com vista ao restabelecimento da ordem constitucional e da soberania popular.
Por fim, as organizações alertam para o risco de expansão da instabilidade na região e apelam a uma resposta firme, concertada e eficaz por parte das instâncias africanas.
Refira-se que os ataques ocorreram na madrugada de 25 de abril e tiveram como alvo várias localidades, incluindo a capital Bamako, bem como Kati, Mopti, Gao e Kidal. A ofensiva, descrita como coordenada e de grande escala, provocou numerosas vítimas mortais e feridos, entre civis e militares, além de significativos danos materiais.
As autoridades malianas confirmaram ainda, a 27 de abril de 2026, a morte do ministro da Defesa Nacional, general Sadio Kamara, na sequência de um ataque à sua residência, localizada na cidade de Kati.
Por Tiago Seide





















