A região sanitária do Arquipélago dos Bijagós integra um total de onze áreas sanitárias, nomeadamente: Bubaque, Canhabaque, Orangozinho, Suga, Formosa, Can Nogo, Orango Grande, Orancam, Uno, Caravela e Unhocomo.
O Democrata apurou que nenhuma dessas áreas sanitárias dispõe de médicos, à exceção de Bubaque, que é a sede regional. Dados recolhidos no terreno indicam ainda que a maioria das áreas sanitárias não possui parteiras, farmácias, serviços de análises clínicas laboratoriais, raio X nem ecografia.
CENTROS ENFRENTAM FALTA DE MEIOS DE TRANSPORTE MARÍTIMO PARA EVACUAÇÃO DE DOENTES
Sempre que um paciente necessita de serviços inexistentes na sua área sanitária, é obrigado a deslocar‑se para Bubaque ou para a capital, Bissau. Apesar das limitações, os Agentes de Saúde Comunitária (ASC) têm desempenhado um papel fundamental na prestação de cuidados de saúde primários, graças às formações que recebem.
Durante a visita da equipa de reportagem de O Democrata às áreas sanitárias da região, em março de 2026, nenhum responsável local se mostrou disponível para prestar declarações, alegando a necessidade de autorização prévia das autoridades sanitárias de Bubaque. Não foi possível obter entrevistas durante a permanência da equipa nas localidades visitadas.
A reportagem visitou os centros de saúde das áreas sanitárias de Canhabaque, Orangozinho e Unhocomo, constatando que todos são centros do Tipo C, instalados em pavilhões simples, com no máximo três salas para serviços públicos. Nenhum destes centros dispõe de médicos, parteiras, farmácias nem laboratórios.
Na área sanitária de Canhabaque, classificada como Tipo C, são cobertas 19 tabancas, um posto avançado de saúde na localidade de Inodé e dois acampamentos, situados em Abini e Idi‑Nhoda. Os serviços são assegurados por três enfermeiros e oito Agentes de Saúde Comunitária.
Toda a equipa dispõe apenas de duas motorizadas para assegurar a mobilidade dos profissionais. Não existem pirogas nem embarcações adequadas para a evacuação de doentes em estado crítico para Bubaque ou Bissau.
O centro não possui farmácia formal, contando apenas com armários de medicamentos instalados na mesma sala onde decorrem as consultas externas e os partos, sem qualquer privacidade. Para observação, existem apenas três camas. Atualmente, o centro enfrenta problemas de eletricidade devido ao esgotamento dos painéis solares, embora o abastecimento de água potável esteja garantido. As consultas custam entre 100 e 250 francos CFA.
Na área sanitária de Orangozinho, apesar de haver eletricidade e água potável, não existem meios de transporte marítimo para a evacuação de pacientes. Esta área cobre quatro aldeias — Acanho, Eticodega, Wite e Wassa — e conta com dois enfermeiros e três Agentes de Saúde Comunitária. São prestados serviços de consulta externa, pré‑natal e partos.
A unidade dispõe de apenas uma motorizada para facilitar as deslocações dos técnicos às aldeias mais distantes. Para chegar à zona de Wite, os profissionais são obrigados a atravessar a maré baixa a pé, devido à inexistência de uma embarcação adequada.
Em Unhocomo, os serviços de saúde são assegurados por dois enfermeiros e três Agentes de Saúde Comunitária. A área sanitária cobre as ilhas de Unhocomo e Unhocomozinho, abrangendo seis localidades: Egará de Cima, Egará de Baixo, Anaburu, Amesso, Unhocomozinho e um acampamento.
O centro dispõe de eletricidade e água potável. Funciona num pavilhão que serve simultaneamente como unidade de atendimento e residência dos técnicos. A infraestrutura conta com apenas duas salas: uma multifuncional, onde são realizadas consultas, partos e curativos, e outra destinada à observação, equipada com apenas uma cama.
Por: Epifânia Mendonça


















