PRESIDENTE DA LIGA DENUNCIA PERSISTÊNCIA DE VIOLAÇÕES DOS DIREITOS HUMANOS NO PAÍS 

‎O presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH), Bubacar Turé, afirmou que o país enfrenta desafios em todas as dimensões dos direitos humanos, desde os direitos civis e políticos até aos direitos económicos, sociais e culturais.

A declaração foi feita hoje, 18 de maio de 2026, na cerimónia de abertura de uma formação em matéria de direitos humanos.

A formação tem como objetivo fortalecer os defensores dos direitos humanos, tornando ativistas e organizações da sociedade civil mais preparados, próximos das populações e capazes de responder aos desafios da promoção e proteção da dignidade humana em todo o território nacional.

No seu discurso, Bubacar Turé disse que persistem preocupações ligadas ao acesso à justiça, à liberdade de expressão, à participação cívica, à proteção das mulheres e crianças, bem como dificuldades relacionadas com o acesso à educação, à saúde, ao emprego digno e a condições de vida compatíveis com a dignidade humana.

Perante esta realidade, sublinhou que as organizações da sociedade civil só poderão responder de forma eficaz se estiverem munidas de ferramentas técnicas, conhecimentos adequados e capacidades sólidas de intervenção, monitorização, denúncia e mobilização social.

“O propósito desta formação é fortalecer as capacidades técnicas e operacionais de ativistas de direitos humanos e de membros das organizações da sociedade civil para prevenir, identificar, monitorizar e reportar violações de direitos humanos na Guiné-Bissau, contribuindo para respostas mais eficazes, coordenadas e éticas”, indicou.

O ativista afirmou ainda que não se pode construir uma sociedade justa e democrática enquanto persistirem discriminações, exclusões e desigualdades que afetam mulheres, raparigas e pessoas com deficiência.

Bubacar Turé assegurou que a Liga Guineense dos Direitos Humanos continuará firme na sua missão de promover, defender e proteger os direitos fundamentais de todos os cidadãos.

“Porque acreditamos profundamente que uma Guiné-Bissau mais justa, mais humana e mais democrática é possível”, afirmou.

Por sua vez, o embaixador da União Europeia, Federico Bianchi Di Montano Antillia, destacou que a política externa da União Europeia assenta no respeito pelo Estado de direito e no gozo dos direitos humanos por todas as pessoas, sem deixar ninguém de lado.

Sublinhou que defender os direitos humanos significa garantir o direito à liberdade de expressão, à participação cívica, ao acesso à justiça, à educação, à saúde e à segurança.

Acrescentou que isso implica também promover instituições fortes, transparentes e responsáveis, capazes de servir o interesse público e proteger os cidadãos.

“É por isso que a União Europeia apoia os defensores dos direitos humanos na Guiné-Bissau, pois são parceiros muito importantes e também muito queridos”, disse.

Na ocasião, afirmou que a história da Guiné-Bissau demonstra que momentos de maior dificuldade também podem ser períodos de reflexão e construção coletiva, razão pela qual “as palavras de Amílcar Lopes Cabral continuam profundamente atuais”.

“As pessoas não lutam por ideias. Lutam para ganhar benefícios materiais, para viver melhor e em paz.”

Concluiu afirmando que, num contexto de fragilidade institucional, é fundamental preservar o espaço de diálogo, fortalecer a confiança entre cidadãos e instituições e promover soluções pacíficas e democráticas para os desafios nacionais.

Por: Natcha Mário M’bundé

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