TARIFA ZERO REPOSICIONA ÁFRICA NAS CADEIAS GLOBAIS, afirma diplomata chinês 

O embaixador do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China para os Assuntos do Fórum de Cooperação China-África (FOCAC), Liu Yuxi, afirmou que a implementação da política de tarifa zero sobre direitos aduaneiros visa impulsionar o investimento chinês em África e aumentar a competitividade das indústrias do continente.

“A tarifa zero é uma iniciativa abrangente que cria sinergias entre comércio e investimento. Combina fatores de produção e vantagens comparativas de África com o vasto mercado e a robusta cadeia industrial da China”, explicou o diplomata, durante uma conferência de imprensa realizada na manhã desta terça-feira, 19 de maio de 2026, em Beijing.

O encontro teve como objetivo informar jornalistas estrangeiros presentes na China — participantes de programas de formação e capacitação — sobre os benefícios da política de isenção tarifária implementada pelo governo chinês.

A conferência, realizada no Salão Linjia 7 do Clube Internacional do Ministério dos Negócios Estrangeiros, reuniu mais de cinquenta profissionais da comunicação social provenientes de África, Ásia, mundo árabe e América Latina, além de representantes de órgãos de comunicação chineses como a CCTV, a agência Xinhua e o Diário do Povo.

COMÉRCIO CHINA-ÁFRICA ATINGE RECORDE HISTÓRICO

A China introduziu, em 2005, a isenção de direitos aduaneiros para produtos de 25 países africanos, abrangendo 190 linhas tarifárias. Duas décadas depois, esta política foi significativamente ampliada, acompanhando o fortalecimento das relações sino-africanas.

Atualmente, o regime de tarifa zero cobre cerca de 9.000 linhas tarifárias para 53 países africanos com relações diplomáticas com a China, sendo considerado pelas autoridades chinesas um marco histórico no comércio bilateral.

Em 2026 celebra-se também o 70.º aniversário das relações diplomáticas entre a China e África, coincidindo com a extensão da política de tarifa zero a todos os países africanos elegíveis, o que, segundo Pequim, demonstra a prioridade estratégica do continente na sua política externa.

Durante a sua intervenção, Liu Yuxi destacou que a medida já apresenta resultados concretos. A China mantém-se como o maior parceiro comercial de África há 17 anos consecutivos.

“Em 2025, o comércio China-África atingiu um recorde de 348,08 mil milhões de dólares”, afirmou. Acrescentou ainda que, no primeiro trimestre de 2026, o comércio bilateral cresceu 26,8% em termos homólogos, superando em quase nove pontos percentuais o crescimento global do comércio chinês.

O diplomata sublinhou que o mercado chinês, com 1,4 mil milhões de consumidores — incluindo cerca de 400 milhões de pessoas da classe média —, continuará a gerar oportunidades para países africanos e outras economias em desenvolvimento.

PRIMEIROS PRODUTOS AFRICANOS ENTRAM COM TARIFA ZERO

Liu Yuxi revelou que, na madrugada de 1 de maio de 2026, o primeiro carregamento de mercadorias africanas beneficiando da nova política entrou na China: 24 toneladas de maçãs sul-africanas, desembaraçadas no porto da Baía de Shenzhen.

No mesmo dia, outros produtos africanos, como abacates do Quénia, laranjas do Egito, gesso marroquino e farinha de ossos nigeriana, entraram no mercado chinês através de diferentes portos, incluindo Cantão, Xangai, Jingmen e Dalian.

INVESTIMENTO, INDUSTRIALIZAÇÃO E EMPREGO 

Segundo o embaixador, a política de tarifa zero incentivará mais empresas chinesas a investir em África, contribuindo para a industrialização, modernização agrícola e aumento do valor acrescentado dos recursos africanos.

“Isso permitirá integrar África de forma mais acelerada nas cadeias industriais e de abastecimento globais”, afirmou.

A medida também deverá ampliar a cooperação ao longo de toda a cadeia produtiva — da produção ao processamento, torrefação e embalagem — promovendo padrões mais elevados de qualidade e criando oportunidades de emprego.

ACORDOS E FACILITAÇÃO DO COMÉRCIO 

Como terceiro pilar, Liu Yuxi destacou que a China pretende reforçar a cooperação com países africanos através de acordos de parceria económica mutuamente benéficos (CADEPA), garantindo previsibilidade e estabilidade nas relações comerciais.

O diplomata sublinhou ainda que a política de tarifa zero integra um pacote mais amplo de medidas de facilitação comercial, incluindo a melhoria do chamado “canal verde” para produtos africanos.

A Administração Geral das Alfândegas da China (GACC) simplificou procedimentos sanitários e fitossanitários e introduziu mecanismos de gestão de risco que aceleram o acesso ao mercado chinês.

“Por exemplo, pimentos secos africanos podem agora ser exportados sem necessidade de protocolos específicos por país, desde que cumpram requisitos gerais”, explicou.

Ainda assim, garantiu que a facilitação não compromete os padrões de qualidade: “O ‘canal verde’ não reduz exigências, mas acelera o acesso de produtos africanos competitivos ao mercado chinês, transformando rapidamente os benefícios da política em resultados concretos.”

Por: Assana Sambú, Beijing

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