A representante residente da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), Ngozi Ukaeje, afirmou que a organização enfrenta vários desafios que ameaçam a estabilidade da região, com destaque para o terrorismo, a instabilidade política, as crises humanitárias e as mudanças inconstitucionais de governos.
Segundo a responsável, outros fatores como o avanço das tecnologias digitais, incluindo a desinformação, e as alterações climáticas também constituem preocupações crescentes para a região.
Ngozi Ukaeje fez estas declarações esta quinta-feira, 28 de maio de 2026, durante uma mensagem alusiva ao 51.º aniversário da CEDEAO, celebrado sob o lema “Construindo hoje a CEDEAO do futuro”.
Na sua intervenção, destacou que o terrorismo continua a desestabilizar vários países da África Ocidental. Anunciou ainda a intenção da organização de relocalizar, para a Guiné-Bissau, o Centro Regional Animal atualmente sediado no Mali, na sequência da saída daquele país da CEDEAO.
A representante sublinhou que a organização continua envolvida em processos de mediação, diálogo, promoção da paz e segurança na Guiné-Bissau. Neste contexto, a CEDEAO mantém forças de estabilização no país, em complemento às forças de defesa e segurança nacionais.
“O objetivo preconizado ainda não foi plenamente alcançado”, afirmou, destacando a necessidade de reforçar os esforços conjuntos para garantir um futuro mais estável para a região.
As celebrações dos 51 anos da CEDEAO, realizadas na sua sede em Bissau, visam reforçar a cooperação entre os Estados-membros, com enfoque na conectividade digital, no desenvolvimento do comércio intra-regional e no fortalecimento dos laços políticos e económicos. A organização continua igualmente a mobilizar observadores eleitorais e forças de estabilização para promover a democracia, a segurança e a boa governação.
Ngozi Ukaeje reiterou ainda o compromisso da CEDEAO em apoiar ações humanitárias, incluindo o combate a epidemias e a resposta a calamidades naturais, bem como o desenvolvimento do capital humano, das infraestruturas e da livre circulação de pessoas e bens na região.
No caso específico da Guiné-Bissau, a responsável destacou o trabalho das agências da CEDEAO, em particular o Bureau Nacional, sediado no Ministério da Economia, Plano e Integração Regional. Entre as ações em curso, referiu iniciativas na área da energia, educação — com atribuição de bolsas para crianças de zonas rurais —, saúde, empoderamento feminino e sensibilização de raparigas.
Em mensagem final, Ukaeje felicitou o governo e o povo guineense pela parceria com a organização, sublinhando a importância da cooperação contínua diante do atual contexto regional.
“Vivemos um momento crítico na região. Devemos estar preparados, com base na solidariedade, no respeito mútuo e numa visão partilhada. Esta data constitui um momento de reflexão sobre a nossa história e o nosso futuro”, afirmou.
Por:Aguinaldo Ampa

















