China e África mais próximas: Porto de Tianjin lidera nova dinâmica comercial

O Porto de Tianjin estabelece uma importante ligação comercial entre a República Popular da China e diversos portos da África Ocidental. Face ao crescimento dos fluxos comerciais, a administração portuária inaugurou este ano uma nova linha direta para a África do Sul, com uma frequência semanal, ligando os portos de Coega e Durban.

Os principais produtos exportados para países da África Ocidental, como Gana, Togo e Costa do Marfim, incluem automóveis e peças automóveis, molho de tomate, bobinas de aço, produtos químicos, entre outras mercadorias. No regresso à China, os navios transportam sobretudo minerais especiais e produtos agrícolas africanos.

Além de conectar a China ao resto do mundo, o Porto de Tianjin desempenha um papel fundamental na integração industrial entre Pequim, Tianjin e Hebei, promovendo o fluxo de mercadorias, o desenvolvimento comercial e benefícios mútuos.

Porto de Tianjin abrange cinco continentes e liga cerca de 200 países e 500 portos

Situado no norte da China, a cerca de 120 quilómetros a leste de Pequim, o Porto de Tianjin possui um canal principal com capacidade para navios de até 300.000 toneladas e uma profundidade de 22 metros. O complexo portuário é composto por seis zonas, sendo que as zonas norte, leste e sul concentram mais de 90% do tráfego.

Trata-se do maior porto artificial de águas profundas da China e ocupa o quinto lugar a nível mundial em movimentação de carga. Localizado na Zona Económica de Binhai, é também um importante porto de escala para cruzeiros internacionais que visitam a região, incluindo a capital.

Como o maior porto multiusos do norte da China, dispõe de mais de 220 postos de acostagem, dos quais mais de 100 são destinados a embarcações com mais de 10.000 toneladas. Desempenha um papel estratégico na iniciativa “Faixa e Rota”, facilitando o fluxo contínuo de comércio nacional e internacional.

A eficiência operacional do porto, especialmente na rota com a África Ocidental, é considerada uma das mais elevadas do mundo. A informação foi partilhada pelo diretor-geral do porto, Xia Ye, durante um encontro com dezenas de jornalistas africanos e chineses, no qual foram abordadas as condições de operação e os diferentes terminais.

Segundo o responsável, o hinterland do porto abrange várias províncias e regiões do norte da China, cobrindo cerca de 52% do território nacional. O porto conta ainda com mais de 100 centros logísticos e 38 linhas ferroviário-marítimas.

“É o único porto chinês com três grandes corredores de trânsito — Manzhouli, Erenhot, Alashankou e Khorgos — e apresenta o maior volume de carga movimentada em pontes terrestres do país. No plano marítimo, 150 linhas de contentores ligam cinco continentes, abrangendo mais de 180 países e cerca de 500 portos”, afirmou.

Porto de Tianjin conta com terminal totalmente automatizado por inteligência artificial

Em 2019, por decisão do governo chinês, foi iniciado o desenvolvimento de um novo terminal totalmente automatizado, com o objetivo de aumentar a eficiência e garantir sustentabilidade ambiental. A construção foi concluída em menos de dois anos e o Terminal C de Tianjin opera atualmente com base em inteligência artificial.

Segundo a media local, o projeto resultou em diversas patentes e foi desenvolvido em parceria com empresas como a TPG, a China Mobile — responsável pela rede 5G — e a Huawei.

O Terminal C assenta na automatização integral dos equipamentos, incluindo guindastes de carga para contentores, guindastes de armazenamento e veículos de transporte.

Os camiões robóticos, orientados por inteligência artificial, movimentam-se autonomamente, transportando contentores entre os navios e as áreas de armazenamento, em coordenação com sistemas igualmente automatizados.

De acordo com o diretor de operações do porto, todo o processo é monitorizado por câmaras e gerido a partir de um centro de controlo inteligente, com intervenção humana mínima. Acrescentou que a operação é sustentável, sendo alimentada por energia proveniente de turbinas eólicas.

Por: Assana Sambú, Pequim

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