O Programa Alimentar Mundial (PAM) alertou para o agravamento da insegurança alimentar no país e para o aumento das necessidades alimentares, devido a interrupções na assistência humanitária.
Num documento divulgado na segunda-feira, 1 de junho de 2026, e consultado pelo jornal O Democrata, o PAM afirmou que crianças e famílias vulneráveis na Guiné-Bissau estão a ser empurradas ainda mais para a fome e a desnutrição. A situação agrava-se à medida que a escassez de financiamento obriga à redução de programas essenciais durante o período de escassez, entre junho e agosto.
“O impacto das perturbações nas cadeias de abastecimento e o aumento dos custos associados à crise no Médio Oriente, aliado à diminuição do financiamento, está a exercer uma pressão significativa sobre as operações do PAM”, reforçou a organização das Nações Unidas.
O PAM indicou que os cortes surgem num “momento crítico” para o país, com quase 130.000 pessoas previstas enfrentar níveis de fome de crise nos próximos meses.
Segundo a organização humanitária da ONU, mais de uma em cada cinco pessoas não consegue satisfazer as suas necessidades alimentares básicas, enquanto 73% da população guineense carece de acesso a nutrientes essenciais.
O número de alunos abrangidos pelo programa de alimentação escolar foi “drasticamente reduzido”, passando de 283.400 para cerca de 152.000, deixando mais de 130.000 crianças sem esta “assistência diária vital”.
“Os programas de alimentação escolar são mais do que apenas uma refeição; para muitos alunos, é a única fonte de alimentação nutritiva que recebem diariamente”, afirmou Mahamane Badamassi, diretor interino do PAM na Guiné-Bissau.
“Estas crianças ficam agora entregues a si próprias, sem garantia de refeições regulares ou de nutrição adequada”, acrescentou.
O PAM também viu-se obrigado a suspender a distribuição de alimentos nutritivos especializados destinados a crianças com menos de dois anos, deixando aproximadamente 56.000 crianças sem acesso a nutrição essencial numa fase crítica do seu desenvolvimento.
Esta interrupção levanta sérias preocupações quanto a um possível aumento da desnutrição e da vulnerabilidade a doenças entre as crianças mais pequenas.
“As crianças, como sabemos, são particularmente vulneráveis a doenças durante os primeiros dois anos de vida”, acrescentou Badamassi, alertando para o risco de desnutrição e maior exposição a enfermidades.
Por: Filomeno Sambú


















