Património mundial: PALÁCIO IMPERIAL DE PEQUIM FASCINA VISITANTES COM SEIS SÉCULOS DE HISTÓRIA

Diariamente, mais de oitenta mil pessoas, entre turistas estrangeiros e chineses, visitam o Palácio Imperial, motivadas pela curiosidade de conhecer a história e o legado deste complexo arquitetónico situado no centro de Pequim, capital da República Popular da China. Reconhecido como símbolo da cultura e tradição chinesas, o palácio foi construído no século XV e serviu de residência oficial a 24 imperadores das dinastias Ming e Qing.

Erguido entre 1406 e 1420, numa área de 720 mil metros quadrados no coração de Pequim, o complexo é composto por centenas de edifícios que, no total, albergam mais de nove mil quartos, tendo acolhido mais de dez mil pessoas durante as duas dinastias.

Cerca de 50 jornalistas provenientes de diferentes países de África, da Europa e da Ásia, participantes de um programa de formação promovido pelo Centro de Relações Públicas da China (CIPCC), visitaram, na terça-feira, 9 de junho de 2026, o Palácio Imperial, também conhecido como Cidade Proibida.

A arquitetura fascinante, a dimensão do complexo, a sua história e o legado preservado no interior de muralhas com mais de dez metros de altura valeram-lhe o reconhecimento da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) como Património Cultural Mundial, em 1987. Atualmente, é um dos destinos turísticos mais visitados da China, recebendo mais de 80 mil visitantes por dia e ultrapassando os dez milhões por ano.

DUAS HORAS DE PASSEIO PARA CONHECER A HISTÓRIA E O MUSEU DO PALÁCIO

A entrada no palácio é paga, custando 60 yuan (cerca de cinco mil francos CFA). Cada grupo de visitantes é acompanhado por um guia turístico, responsável por orientar e relatar a história e o legado das dinastias Ming e Qing.

A história da Cidade Proibida estende-se por aproximadamente seis séculos. Durante cerca de 500 anos, funcionou como residência oficial dos imperadores, desde o reinado do Imperador Yongle — terceiro soberano da Dinastia Ming — até ao fim da Dinastia Qing, em 1911.

Em 1920, o complexo foi convertido em museu, função que mantém até hoje sob a designação de Palácio Museu. O nome “Cidade Proibida” deve-se ao facto de o acesso ser restrito na época imperial: ninguém podia entrar sem autorização do imperador, e qualquer violação era severamente punida.

Os jornalistas participantes do programa de formação tiveram a oportunidade de visitar o Palácio Museu sob a orientação de um guia turístico conhecido pelo nome ocidental de Marco.

Durante cerca de duas horas de caminhada, os visitantes conheceram diversos espaços, ouviram explicações sobre símbolos, significados de esculturas de animais presentes nas entradas e observaram utensílios colocados em locais estratégicos.

O ponto alto da visita ocorreu no edifício que serviu de residência a diferentes imperadores, bem como em um dos salões onde eram realizadas reuniões com oficiais e conselheiros.

Ao longo da visita, destacou-se a forte presença de turistas fascinados com a arquitetura e a história do local. A maioria registava os momentos com telemóveis ou câmaras, procurando eternizar aquela que muitos consideram uma experiência única. Cada visitante fazia questão de captar imagens para, posteriormente, partilhar com familiares e amigos.

Em entrevista, o guia Marco explicou que cerca de um milhão de trabalhadores participaram na construção do palácio, acrescentando que mais de mil pessoas perderam a vida durante as obras.

Lembrou ainda que, após a dinastia Qing, o governo decidiu transformar a Cidade Proibida no atual Palácio Museu.

“A Cidade Proibida tornou-se um dos maiores museus da China. Todos os dias, recebe inúmeros turistas”, destacou.

ARQUITETURA, HISTÓRIA E PRESERVAÇÃO CHAMAM A ATENÇÃO DOS JORNALISTAS

A reportagem recolheu impressões de jornalistas de diferentes países, incluindo Burkina Faso, Senegal e Moçambique. Os entrevistados destacaram o trabalho das autoridades chinesas na preservação de um monumento com mais de cinco séculos, bem como a abertura para partilhar a sua história com o mundo.

A jornalista do jornal Sidwaya, do Burkina Faso, Nadège Yameogo, afirmou que a Cidade Proibida é um testemunho excecional da história e da civilização chinesas. Segundo ela, ao percorrer os vastos pátios, foi possível apreciar a grandiosidade da arquitetura e da arte.

“O que mais me impressionou foi a forma como este local foi preservado e transmitido às gerações atuais. Como jornalista africana, vejo aqui um lembrete da importância de proteger e valorizar o nosso património cultural”, afirmou, sublinhando que a Cidade Proibida “é um tesouro do património mundial que inspira respeito e admiração”.

Omar Kande, jornalista e chefe adjunto da secção de política e instituições do jornal Le Soleil, do Senegal, destacou a imponência do complexo.

“É um sentimento de alegria visitar este local histórico. Impressiona-me a construção de dezenas de palácios e o espaço que ocupam. Trata-se de uma verdadeira cidade dentro da cidade”, afirmou.

O jornalista sublinhou ainda a importância de África se inspirar no exemplo chinês na preservação do património:

“Devemos proteger os nossos patrimónios culturais e atribuir-lhes o devido valor histórico, permitindo que as futuras gerações conheçam a sua história”, afirmou, lembrando o pensamento de Léopold Sédar Senghor.

Para Inácio Cessar, da Televisão Pública de Moçambique, a visita reforça a ideia de que a China valoriza a sua história como base para o desenvolvimento.

“Usaram o passado para construir o presente e projetar o futuro”, afirmou, mostrando-se impressionado com a experiência.

Por: Assana Sambú, Pequim

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