O Movimento Político Firkidja di Púbis afirmou que a Guiné-Bissau se encontra sob a “égide de um poder político-militar estranho” à ordem jurídica guineense, alegadamente colocado ao serviço de interesses alheios aos anseios históricos do povo.
Em comunicado consultado por O Democrata, reagindo ao posicionamento do Conselho Nacional de Transição face às declarações do Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Paulo Rangel, a organização que congrega estudantes e trabalhadores guineenses, destacou a persistência de restrições graves às liberdades fundamentais, nomeadamente à liberdade de organização, de expressão, de imprensa e de manifestação.
A organização denunciou ainda o registo de “perseguições políticas arbitrárias” contra cidadãos e cidadãs que manifestam discordância em relação ao Alto Comando Militar.
Segundo o movimento, assiste-se igualmente à instrumentalização do aparelho do Estado para benefício de grupos restritos, em detrimento do interesse nacional.
O Firkidja di Púbis reafirmou o seu compromisso com o respeito pela soberania popular, a reposição da legalidade democrática e a construção de uma Guiné-Bissau assente na justiça, na liberdade e na dignidade humana.
Nesse sentido, reiterou a sua determinação em lutar pela restauração da soberania popular no país, pela responsabilização política e criminal dos autores de assassinatos políticos incluindo o de Vigário Luís Balanta, bem como pela libertação de presos políticos, entre os quais Domingos Simões Pereira.
O movimento reiterou ainda a sua rejeição de qualquer tentativa de normalização e consolidação de um regime “autoritário, com viés totalitário”.
Dirigindo-se à população, a organização sublinhou que o futuro da Guiné-Bissau dependerá da capacidade de organização, mobilização, união e determinação dos próprios guineenses.
“Nenhuma transformação profunda será possível sem a participação ativa dos cidadãos”, afirmou, apelando às forças vivas da nação para uma maior mobilização, consciente, responsável e determinada, em defesa de transformações democráticas alinhadas com o interesse nacional.
“Acreditamos numa Guiné-Bissau onde a lei, enquanto defensora dos interesses coletivos, prevaleça sobre as vontades individuais; onde as instituições ao serviço do povo sejam respeitadas; e onde nenhum cidadão seja privado dos seus direitos fundamentais. Essa conquista exige coragem, unidade, luta, perseverança e espírito de sacrifício”, concluiu.
Por Tiago Seide

















