Governo apela à vigilância para travar contrabando de castanha de caju

O Ministro do Comércio e Indústria, Jaimantino Có, defendeu a informação como um instrumento essencial para o alcance dos objetivos da campanha de comercialização da castanha de caju.

O governante falava esta sexta-feira, 19 de junho de 2026, durante um encontro promovido pelo Ministério da Economia, que reuniu delegados regionais, representantes da Direção-Geral das Contribuições e Impostos, das Alfândegas, da Administração dos Portos da Guiné-Bissau (APGB) e técnicos do Ministério do Comércio.

O encontro teve como objetivo harmonizar dados sobre a comercialização e exportação da castanha de caju na campanha de 2026, bem como reforçar as estratégias de combate ao contrabando.

Na ocasião, Jaimantino Có afirmou que todos os intervenientes do setor devem estar envolvidos no processo, de modo a conhecerem melhor a dinâmica da comercialização e organizarem adequadamente as suas estatísticas.

Segundo o ministro, a disponibilidade de informação permite aos operadores compreender melhor os mecanismos de comercialização, incluindo a arrecadação de taxas.

O governante sublinhou ainda a importância da partilha de dados entre as diferentes instituições, para garantir que todos atuem com base no mesmo nível de informação.

Apesar de reconhecer fragilidades no sistema, assegurou que o Governo continuará a reforçar os mecanismos de recolha e partilha de dados.

Jaimantino Có apelou também aos delegados para redobrarem a vigilância e evitarem o contrabando, de modo a garantir o cumprimento das metas estabelecidas.

Recordou que a castanha de caju não deve ser transportada para o interior do país e advertiu que qualquer pessoa apanhada a transportar o produto para venda no estrangeiro perderá o respetivo meio de transporte, sem qualquer tolerância.

O ministro denunciou, igualmente, alegadas manobras de alguns proprietários de armazéns que mantêm o produto armazenado com o objetivo de o encaminhar posteriormente para zonas fronteiriças para comercialização no exterior.

Por isso, pediu maior controlo e fiscalização por parte dos delegados, para travar essas práticas.

“Delegados, por favor, não permitam que o produto seja levado para o interior do país. Visitem os armazéns onde ainda existe castanha armazenada para conhecer as razões da retenção. O preço dificilmente chegará aos mil francos CFA por quilograma e, tendo em conta que já estamos na época das chuvas, é conveniente que os produtores comercializem o produto”, afirmou.

Preço do caju sobe e campanha supera meta das 200 mil toneladas

Por sua vez, o presidente dos intermediários, Lassana Sambú, considerou positiva a campanha de comercialização da castanha de caju de 2026.

Segundo explicou, o preço do produto continua a subir devido à elevada procura face à oferta, apesar da redução da produção registada nesta campanha.

“Atualmente, em Bissau, a castanha de caju está a ser comercializada a cerca de 630 francos CFA por quilograma, o que constitui motivo de satisfação para os operadores, pois a campanha decorre em boas condições”, declarou.

Lassana Sambú revelou ainda que já foram exportadas cerca de 37 mil toneladas de castanha de caju, enquanto outras 70 mil toneladas foram declaradas para exportação.

Acrescentou que mais de 200 mil toneladas já se encontram em Bissau, ultrapassando a previsão inicial da campanha, estimada no mesmo volume.

Segundo o responsável, os dados regionais indicam ainda a existência de aproximadamente 25 mil toneladas armazenadas em diferentes regiões do país.

Para Lassana Sambú, estes números demonstram que, apesar da quebra de produção, a Guiné-Bissau conseguiu ultrapassar a fasquia das 200 mil toneladas. Assim, em anos de boa produção, o país poderá atingir as 400 mil toneladas.

O presidente dos intermediários destacou igualmente a importância do cumprimento dos cinco diplomas aprovados pelo Governo para regulamentar a comercialização da castanha de caju.

“O Governo aprovou cinco diplomas que regulam a comercialização da castanha de caju e estes devem ser respeitados na íntegra. Muitas vezes, os operadores nacionais enfrentam dificuldades de financiamento, o que leva à atribuição de licenças a operadores estrangeiros. Isso não é justo. É necessário criar condições para que os operadores nacionais possam desenvolver as suas atividades e gerar rendimentos. Essa continua a ser a nossa política de apoio ao setor privado”, concluiu.

Por: Jacimira Segunda Sia

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