A Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH) exigiu, esta terça-feira, 30 de junho de 2026, que o Estado da Guiné-Bissau tome medidas para pôr fim à mendicidade de crianças talibés no país, sobretudo durante a época chuvosa, período em que os menores enfrentam sérios riscos.
Segundo a organização, nesta altura do ano, muitas crianças pedintes circulam desprotegidas, expostas à chuva, a ventos fortes e a cabos elétricos em condições precárias, espalhados por várias zonas.
A posição foi manifestada pelo Secretário Nacional para a Comunicação da LGDH, Gueri Gomes Lopes, durante uma conferência de imprensa realizada na Casa dos Direitos, em Bissau.
De acordo com o responsável, a situação da mendicidade nas diferentes artérias da capital e no interior do país constitui uma “violação gravíssima” dos direitos das crianças. Por isso, defendeu ser urgente a intervenção do Estado para pôr fim a essa prática, sublinhando que “não é benéfica nem para as crianças nem para o país em geral”.
“Imagens divulgadas nas redes sociais mostram crianças, sob chuva intensa, a pedir esmola para entregar aos mestres corânicos. Esse cenário é agravado pela má qualidade da rede elétrica no país. Trata-se de uma clara violação dos direitos das crianças e de uma situação que coloca as suas vidas em risco. As autoridades competentes não devem permanecer inativas, mas sim agir para acabar com este problema”, afirmou.

Gueri Gomes Lopes apelou ainda aos pais e encarregados de educação para que sejam mais sensíveis à situação dos menores, retirando-os dessa realidade, alegando que “não terão benefícios educativos nessas condições”.
O responsável instou também as associações de mestres corânicos a abolirem a prática da mendicidade, especialmente neste período difícil, advertindo que a sua continuidade representa a violação dos direitos das crianças e compromete o futuro do país.
Por outro lado, o ativista condenou o “assassinato brutal” de um cidadão da Guiné-Conacri, de profissão panificador, ocorrido no dia 29 do corrente mês na cidade de Bissorã, região de Oio, no norte do país.
“A Liga, no âmbito das suas responsabilidades, considera necessário denunciar publicamente este caso e apelar às autoridades competentes para que investiguem com a maior brevidade possível, identificando e levando à justiça os autores deste crime”, declarou.
Segundo acrescentou, trata-se da perda de um cidadão estrangeiro que escolheu a Guiné-Bissau para viver e trabalhar, tendo sido vítima de um ato violento enquanto exercia a sua atividade económica.
“É urgente a abertura de um inquérito para responsabilizar os autores deste crime”, concluiu.
Por: Aguinaldo Ampa


















