“Formação profissional enfrenta desafios, mas é crucial para o futuro económico” – Banco Mundial

O chefe da equipa do Banco Mundial para a área da educação na Guiné-Bissau, Momo Bertrand, defendeu que não é possível fortalecer a economia do país sem investir na formação técnica e profissional.

O responsável destacou que, para transformar o sistema de ensino técnico e profissional, é fundamental considerar o financiamento do setor.

“Quase 95% dos centros cobram propinas e temos muitas famílias sem condições de pagar. É também necessário reforçar a colaboração entre os centros de formação e as empresas do setor privado”, afirmou.

Momo Bertrand falava esta terça-feira, 30 de junho de 2026, durante o Fórum sobre Educação e Formação Técnica e Profissional, organizado pelo Banco Mundial.

O encontro contou com a participação de organizações da sociedade civil, empregadores e outros atores, em parceria com o Ministério da Educação Nacional, Ensino Superior e Investigação Científica.

“A teoria e a prática devem caminhar juntas, e os dados são fundamentais. Não se pode melhorar aquilo que não é medido”, sublinhou.

O fórum teve como principais objetivos apresentar um estudo sobre a formação técnica e profissional no país, melhorar a transição dos jovens da formação para o mercado de trabalho e reforçar o sistema de ensino técnico e profissional na Guiné-Bissau.

No seu discurso, o responsável assegurou que o relatório apresentado permitirá estabelecer uma base sólida para alcançar esses objetivos e contribuir para o desenvolvimento económico do país.

Por sua vez, o diretor dos Recursos Humanos do Ministério da Educação Nacional, Ensino Superior e Investigação Científica, Moisés da Silva, afirmou que o ensino técnico e profissional na Guiné-Bissau tem grande relevância, embora enfrente desafios significativos, incluindo oportunidades ainda limitadas para garantir um sistema mais equitativo e inclusivo.

Moisés da Silva destacou que a formação técnico-profissional é um dos pilares fundamentais para o desenvolvimento sustentável.

“Investir na formação técnica profissional é investir na qualificação dos jovens, na criação de oportunidades de emprego, no empreendedorismo e no crescimento da economia”, afirmou.

O responsável defendeu ainda a igualdade de oportunidades no acesso à formação.

“Jovens, mulheres e raparigas devem ter igualdade de oportunidades para aceder, concluir a formação profissional e superar as barreiras que ainda limitam a sua participação em determinadas áreas técnicas”, acrescentou.

Neste sentido, garantiu que o Governo da Guiné-Bissau está empenhado em trabalhar com parceiros nacionais e internacionais para reforçar o sistema de ensino técnico e profissional, alinhando-o com as necessidades do mercado.

Na ocasião, a representante do Banco Mundial, Rosa Brito, revelou que mais de 50% da população da Guiné-Bissau tem menos de 25 anos, o que representa “uma enorme oportunidade”, mas também uma grande responsabilidade.

Segundo afirmou, é essencial que os jovens adquiram competências adequadas, tenham acesso ao emprego e se tornem produtivos, de forma a impulsionar o desenvolvimento económico e social.

Por fim, alertou que, se estes desafios não forem superados, o país corre o risco de não aproveitar plenamente o potencial de uma geração inteira.

“A determinação e a resiliência mostram que vivemos num mundo em constante mudança, marcado por tecnologias emergentes, incluindo a inteligência artificial. Estas transformações estão a redefinir o setor económico e o mercado de trabalho”, concluiu.

Por: Jacimira Segunda Sia

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