Relatório 2025 do GIABA aponta progressos e desafios no combate ao crime financeiro

O diretor administrativo e financeiro do Grupo Intergovernamental de Ação contra o Branqueamento de Capitais na África Ocidental (GIABA), Cherno Jallow, afirmou esta segunda-feira, 6 de julho de 2026, que a luta contra o branqueamento de capitais, o financiamento do terrorismo e a proliferação de armas continua a ser indispensável para a segurança, a boa governação e o desenvolvimento sustentável da África Ocidental.

Jallow falava em representação do diretor-geral do GIABA, na abertura da Sessão Anual de Informação dos Embaixadores e Parceiros Técnicos e Financeiros, bem como da Conferência de Imprensa Anual realizada após a apresentação pública do Relatório Anual de 2025. O encontro, que decorre até 7 de julho em Dakar, Senegal, reúne representantes dos Estados-membros, parceiros internacionais, técnicos e profissionais da comunicação social.

O responsável salientou que a reunião acontece num contexto regional marcado pela persistência de ataques terroristas, criminalidade organizada transnacional, corrupção, fluxos financeiros ilícitos e cibercriminalidade. Acrescentou que a rápida evolução tecnológica, em particular o crescimento dos criptoativos e a expansão da transformação digital, cria novas oportunidades, mas também expõe os países a novas vulnerabilidades.

Perante estes desafios, Jallow destacou que o GIABA tem prosseguido com determinação a implementação do seu plano estratégico regional.

Segundo explicou, a instituição reforçou a assistência técnica aos Estados-membros, promoveu ações de formação, apoiou avaliações nacionais de risco e estudos tipológicos, além de consolidar as capacidades das unidades de informação financeira e de outras entidades envolvidas na prevenção e combate aos crimes financeiros.

“Estas intervenções, realizadas com o apoio do Grupo de Ação Financeira Internacional (GAFI) e dos nossos parceiros técnicos e financeiros, reforçam a posição do GIABA como um garante essencial da integridade do sistema financeiro da nossa região”, sublinhou.

O dirigente acrescentou que o Relatório Anual de 2025 evidencia os progressos alcançados, sem ignorar os desafios que continuam a exigir atenção.

“O relatório demonstra o esforço sustentado dos Estados-membros para reforçar a conformidade com as normas internacionais e aumentar a eficácia dos seus sistemas nacionais, no âmbito do terceiro ciclo de avaliações mútuas, centrado na obtenção de resultados concretos”, afirmou.

Por sua vez, a representante residente da CEDEAO no Senegal, Zelma Yollande Nobre Fassionou, destacou que a organização pretende, através da Visão 2050, construir uma África Ocidental mais integrada, próspera e resiliente, assente nos princípios da democracia, transparência e boa governação.

Fassionou advertiu, contudo, que essa ambição apenas será alcançada com sistemas financeiros sólidos e íntegros.

“Há mais de duas décadas, o GIABA desempenha um papel fundamental no fortalecimento dos mecanismos nacionais de combate ao branqueamento de capitais e ao financiamento do terrorismo”, recordou.

O encontro anual do GIABA constitui uma plataforma para avaliar os progressos registados na região, discutir os desafios da implementação das normas internacionais e identificar perspetivas de reforço dos mecanismos nacionais e regionais de prevenção e combate aos crimes financeiros.

Os participantes defenderam que o combate ao branqueamento de capitais, ao financiamento do terrorismo e a outras formas de criminalidade financeira exige esforços coordenados entre governos, parceiros internacionais, instituições especializadas e órgãos de comunicação social, considerados fundamentais para sensibilizar e informar o público.

O GIABA é uma instituição especializada da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), responsável pela coordenação dos esforços regionais de prevenção e combate ao branqueamento de capitais, ao financiamento do terrorismo e à proliferação de armas na África Ocidental.

Por Aguinaldo Ampa, enviado especial

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