O Governo de Transição e a República Popular da China assinaram, esta quinta-feira, 9 de julho de 2026, um acordo de perdão de dívida no valor de 6.344.060.000 francos CFA.
O acordo, cuja negociação remonta a vários anos, foi assinado pelo primeiro-ministro, Ilídio Vieira Té, e pelo embaixador da República Popular da China na Guiné-Bissau, Yang Renhuo.
Após a cerimónia de assinatura, o primeiro-ministro afirmou que o perdão da dívida contraída junto da China contribuirá para aliviar os encargos do Tesouro Público no que diz respeito ao serviço da dívida externa.
Ilídio Vieira Té informou que a dívida externa da Guiné-Bissau se situa atualmente em 74%, destacando que o indicador registou uma redução face aos 80% anteriormente verificados.
“A dívida do país saiu de 80% para 74%”, assinalou.
O chefe do Governo acrescentou que o Executivo pretende manter esta trajetória de redução do endividamento até 2027, com o objetivo de fazer descer o rácio da dívida para cerca de 69%.
Segundo Ilídio Vieira Té, estes resultados são fruto de um trabalho “árduo” e “muito sério”, desenvolvido pelo Governo na gestão das finanças públicas.
O primeiro-ministro admitiu, no entanto, que o principal problema do país não está na capacidade de cumprir os pagamentos da dívida, mas sim na dificuldade de mobilizar financiamentos junto dos parceiros financeiros internacionais.
“Graças a Deus, temos cumprido atempadamente o pagamento das dívidas externas contraídas com todos os parceiros. O acordo que temos com o FMI não nos permite passar sequer um dia sem pagar a dívida”, afirmou.
Ilídio Vieira Té considerou ainda que, se a Guiné-Bissau continuar neste caminho, poderá reforçar a sua credibilidade junto dos credores internacionais e recorrer a empréstimos orientados para o desenvolvimento do país.
“Os empréstimos bem planeados e devidamente aplicados podem ter impacto na vida da população guineense. Já os empréstimos herdados não produzem resultados”, advertiu.
Por sua vez, o embaixador da República Popular da China na Guiné-Bissau, Yang Renhuo, explicou que o perdão da dívida faz parte das medidas de cooperação para África anunciadas pelo Presidente chinês durante a Cimeira de Pequim do Fórum de Cooperação China-África (FOCAC) de 2024.
“O perdão desta dívida demonstra a profunda amizade entre a China e a Guiné-Bissau”, declarou.
O diplomata sublinhou ainda que o acordo deverá contribuir para a melhoria da situação financeira da Guiné-Bissau e favorecer o desenvolvimento económico do país.
Yang Renhuo reiterou a disponibilidade da China para continuar a apoiar a Guiné-Bissau “com ações concretas” e manifestou confiança num futuro promissor para o país.
Por: Carolina Djemé

















