O líder de uma das alas do Partido da Renovação Social (PRS), Fernando Dias da Costa, responsabilizou esta sexta-feira, 10 de julho de 2026, o Alto Comando Militar para a Restauração da Segurança Nacional e da Ordem Pública pela detenção do líder do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Domingos Simões Pereira (DSP). O político criticou ainda o silêncio da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) perante a situação política na Guiné-Bissau.
“A comunidade internacional está a acompanhar tudo o que acontece na Guiné-Bissau e simplesmente remeteu-se ao silêncio. Ficámos particularmente desapontados com a CEDEAO, sobretudo com a última missão ministerial que esteve em Bissau e reuniu-se apenas com as autoridades no poder, sem sequer contactar a outra parte”, afirmou o antigo candidato às eleições presidenciais de novembro de 2025.
Segundo Fernando Dias, a missão ministerial da CEDEAO foi induzida em erro pelas autoridades, o que a levou a pronunciar-se sobre o referendo para a nova Constituição da República sem que o assunto tivesse sido previamente debatido com os partidos políticos interessados no processo.
“Domingos Simões Pereira pode ser eliminado e isso não resolverá os problemas do país”
Fernando Dias fez estas declarações numa mensagem dirigida ao povo guineense e à comunidade internacional, divulgada através da sua página na rede social Facebook, em reação à detenção de Domingos Simões Pereira, ocorrida após a sua audição, na manhã desta sexta-feira, no Tribunal Militar Superior, perante o juiz de instrução criminal Mamadu Embaló.
O Democrata confirmou, junto de uma fonte da Segunda Esquadra, em Bissau, que Domingos Simões Pereira se encontra detido nas celas daquela unidade policial, onde anteriormente já esteve preso durante 65 dias.
O líder do PAIGC é acusado de envolvimento na alegada tentativa de golpe de Estado de outubro de 2025.
Na sua comunicação, Fernando Dias voltou a criticar a CEDEAO por, segundo disse, não ter exigido ao Comando Militar a reabertura das sedes dos partidos políticos encerradas e a libertação dos dirigentes políticos detidos, incluindo Domingos Simões Pereira.
“A CEDEAO está a conduzir-nos para um caminho desconhecido e afirma que tem soluções para o país. Que tipo de soluções pretende apresentar-nos?”, questionou.
O dirigente político garantiu ter ouvido informações sobre a eventual formação de um governo de inclusão liderado por um Presidente de Transição civil. Contudo, argumentou que a organização regional tem dialogado apenas com uma parte dos atores políticos, sem envolver os partidos, o que, na sua opinião, compromete a eficácia de qualquer solução.
“Somos todos filhos da Guiné. Somos vencedores de eleições presidenciais e temos a maioria do nosso lado. Qualquer solução adotada sem considerar a nossa posição não terá eficácia”, advertiu.
Relativamente à detenção de Domingos Simões Pereira, Fernando Dias apelou aos militares para que reflitam sobre a situação política do país, que classificou como anormal. Acusou ainda o poder vigente de seguir a vontade de uma única pessoa, sem, no entanto, identificar quem seria.
“Não está a ser respeitada a lei e isso coloca em causa a credibilidade do poder judicial na Guiné-Bissau, podendo trazer consequências para o futuro do país”, alertou.
O político defendeu que a eliminação de adversários políticos não resolve os problemas nacionais, recordando episódios do passado envolvendo figuras históricas da política guineense.
“Nino Vieira foi apontado como um obstáculo ao desenvolvimento da Guiné-Bissau e foi eliminado, mas os problemas permaneceram. Kumba Yalá também foi afastado e a situação não mudou. Fernando Dias poderá ser eliminado e Domingos Simões Pereira também poderá ser eliminado, mas, ainda assim, os problemas do país continuarão”, afirmou.
Para o dirigente político, a única saída para a crise passa pelo diálogo entre os atores nacionais, pelo respeito das leis e pela preservação do sistema político vigente.
Por: Assana Sambú

















