A coordenadora do Gabinete da Aliança para Vacinas na Guiné-Bissau (GAVE), Elisângela Almeida Cabral, defendeu que a integração da perspetiva de género na vacinação não é apenas uma questão técnica, mas também uma estratégia de justiça social e de eficácia na saúde pública.
“Para proteger todas as crianças, é preciso ter em conta quem cuida delas e compreender a dinâmica existente em cada lar guineense. É necessário perceber se a sociedade continua a colocar o peso dos cuidados infantis e da vacinação apenas sobre os ombros das mães”, afirmou.
A responsável falava à imprensa esta terça-feira, 14 de julho de 2026, durante a cerimónia de encerramento da assistência técnica para a integração da perspetiva de género nas estratégias e atividades de imunização na Guiné-Bissau, promovida pelo Serviço de Imunização e Vigilância Epidemiológica.
No seu discurso, Elisângela Almeida Cabral explicou que o financiamento do GAVE vai além da compra e distribuição de vacinas, abrangendo também ações destinadas a promover mudanças de mentalidade e a eliminar barreiras que impedem as crianças de terem acesso a uma imunização completa e de qualidade.
Segundo a coordenadora do GAVE, a vacinação infantil é uma responsabilidade partilhada por toda a família.
“Vacinar as crianças é um dever do pai, da mãe e de todos os adultos que vivem na mesma casa. O papel do pai deve ser ativo, tanto no apoio financeiro como no acompanhamento aos centros de saúde e na tomada de decisões. Esse envolvimento é determinante para evitar atrasos na vacinação. Já a mãe deve continuar a ser o pilar dos cuidados, mas sem estar sujeita a uma sobrecarga de responsabilidades”, sustentou.
Na ocasião, a diretora do Programa Alargado de Vacinação (PAV), Neusa Sami Barbosa, afirmou que as mulheres têm capacidade para assumir qualquer cargo de liderança.
Destacou ainda que a saúde pública começa pela prevenção, permitindo reduzir os custos financeiros e o tempo de trabalho dos técnicos de saúde. Segundo disse, a prevenção salva vidas e garante o desenvolvimento saudável das futuras gerações.
Neusa Sami Barbosa alertou igualmente para os desafios da sensibilização da população, sublinhando que uma grande parte dos cidadãos continua sem acesso adequado à educação formal, o que exige mecanismos eficazes de consciencialização sobre a importância da vacinação.
“Nos países desenvolvidos, onde a população está consciente da importância da vacinação e os níveis de escolarização são mais elevados, ninguém precisa procurar as pessoas para serem vacinadas. São os próprios cidadãos que se dirigem aos postos de saúde porque conhecem os benefícios das vacinas. É verdade que atualmente vivemos numa era de globalização e tecnologia, em que a desinformação circula com rapidez, mas nós, enquanto profissionais de saúde, jurámos salvar vidas e vamos continuar a cumprir essa missão”, sublinhou.
A diretora do PAV acrescentou que os profissionais de saúde trabalham frequentemente em condições difíceis e, muitas vezes, arriscam as suas próprias vidas para proteger a saúde da população.
Por: Jacimira Segunda Sia

















