O analista político e filósofo guineense Rui Landim foi ouvido esta quarta-feira na Vara Crime do Tribunal Regional de Bissau (TRB), no âmbito de uma queixa apresentada contra o Estado da Guiné-Bissau, através da qual pretende obter esclarecimentos sobre a suspensão da sua pensão de reforma.
Na queixa, Rui Landim alega que a sua pensão foi bloqueada. Após a audição realizada nesta quarta-feira, 15 de julho de 2026, confirmou perante as autoridades a denúncia apresentada contra o Estado guineense.
À saída do Ministério Público, Rui Landim afirmou aos jornalistas que não se deixará intimidar e acusou o atual primeiro-ministro de transição de estar por detrás da situação que enfrenta.
“Deparamo-nos com uma situação nova na Vara Crime. Nem percebi bem do que se tratava. Um certo senhor, Ilídio Vieira Té, apresentou uma queixa contra mim. Presumo que esteja relacionada com as minhas posições em defesa da legalidade na Guiné-Bissau e que tenha de pagar por isso. Há formas legítimas de chegar ao poder e de o exercer”, declarou.
Rui Landim considera que a queixa movida contra si é apenas um instrumento para tentar travar a sua atuação pública, garantindo, contudo, que continuará a exercer os seus direitos e a utilizar a liberdade de expressão.
“Vou continuar a fazer o meu trabalho sem medo de nada, porque quem não deve não teme”, afirmou.
Por sua vez, o advogado de Rui Landim, Iancuba Seide, destacou que a sobrevivência do seu constituinte depende da pensão de reforma.
A defesa reiterou desconhecer as razões que estiveram na origem do bloqueio da pensão, mas espera que a situação seja resolvida com bom senso e que os pagamentos sejam retomados.
Segundo Iancuba Seide, o processo encontra-se atualmente no tribunal e caberá ao magistrado responsável ouvir a parte contrária, analisar os factos e decidir os próximos passos processuais.
“A nossa esperança é que a situação da pensão seja desbloqueada e que, no final do mês, ele tenha acesso ao seu dinheiro. Não faz sentido nem é normal o que está a acontecer. Quem tem poder de decisão deve ordenar o desbloqueio da pensão, porque ele precisa desse rendimento”, afirmou.
O advogado explicou ainda que a audição desta quarta-feira serviu essencialmente para confirmar os termos da queixa apresentada.
“Como é normal, quando alguém apresenta uma queixa, o Estado chama o queixoso para confirmar os factos denunciados”, esclareceu.
Iancuba Seide recordou que Rui Landim trabalhou para o Estado da Guiné-Bissau durante mais de 30 anos e, por isso, tem direito a receber a sua pensão.
“A lei permite que qualquer cidadão que se considere lesado recorra aos tribunais. Foi isso que fizemos. Compete agora ao tribunal restabelecer a legalidade, se entender que existem fundamentos para tal”, concluiu.
Por: Natcha Mário M’bundé


















