Política monetária da BCEAO sustenta crescimento e financiamento da economia regional

A estabilidade dos preços, o crescimento económico sustentado e a expansão do financiamento à economia foram apontados pelo Banco Central dos Estados da África Ocidental (BCEAO) como alguns dos principais resultados alcançados pela União Económica e Monetária da África Ocidental (UEMOA). Os dados foram apresentados durante um seminário para jornalistas económicos dos oito países-membros da União, realizado em Dakar.

O encontro, que contou com a participação de um jornalista de O Democrata, teve como objetivo reforçar a compreensão dos profissionais da comunicação sobre os fundamentos, instrumentos e resultados da política monetária conduzida pela instituição regional.

Durante a apresentação, o BCEAO reiterou que o seu principal mandato é garantir a estabilidade dos preços, considerada a contribuição mais importante para um crescimento económico sólido e sustentável. A instituição mantém como meta uma inflação em torno de 2%, com uma margem de tolerância de um ponto percentual acima ou abaixo desse nível.

Os dados apresentados por Joseph Saturnin Sagnon, diretor da política monetária e de relações internacionais de BCEAO, mostram que a UEMOA registou uma inflação média de 3,6% entre 2021 e 2025, um desempenho significativamente inferior ao observado noutras economias africanas. No mesmo período, a inflação média atingiu 16,2% na África Subsaariana, 23,6% no Gana e 23,3% na Nigéria, evidenciando a relativa estabilidade dos preços na União.

Além do controlo da inflação, o BCEAO destacou o dinamismo económico da região. Entre 2021 e 2025, a UEMOA registou uma taxa média de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 5,9%, acima da média da África Subsaariana, estimada em 4,2%. No mesmo período, o crescimento médio foi de 4,8% no Gana, 3,4% na Nigéria e 1,9% na África do Sul.

Segundo a instituição, estes resultados demonstram que é possível conciliar estabilidade monetária e crescimento económico, reforçando a atratividade da região junto dos investidores.

Outro indicador destacado foi a evolução do crédito à economia, que aumentou de 20,9% do PIB entre 2011 e 2015 para 26,7% do PIB no período 2021-2025, refletindo uma maior disponibilidade de financiamento para empresas e famílias.

Já o crédito interno cresceu de 26,0% para 44,7% do PIB no mesmo intervalo, evidenciando o reforço da capacidade do sistema financeiro para sustentar a atividade económica.

O BCEAO destacou igualmente o papel do refinanciamento concedido aos bancos. A proporção do refinanciamento da instituição em relação ao total de créditos à economia aumentou de 13,9% entre 2011 e 2015 para 25,2% entre 2021 e 2025, contribuindo para assegurar níveis adequados de liquidez no sistema bancário e apoiar o financiamento das empresas e das famílias.

No domínio da política monetária, o Comité de Política Monetária do BCEAO adotou um ciclo de flexibilização nos últimos meses. Após uma fase de aumento das taxas de juro em 2023, a taxa mínima de submissão foi reduzida para 3,25% em junho de 2025 e para 3,00% em março de 2026. Já a taxa do guichet de empréstimo marginal foi fixada em 5,00%.

Em junho de 2026, a instituição decidiu manter as taxas de juro inalteradas, justificando a decisão com a necessidade de prudência perante as incertezas internacionais, particularmente as relacionadas com o conflito no Médio Oriente, bem como com a avaliação dos efeitos das medidas de flexibilização já implementadas.

Os responsáveis do BCEAO sublinharam ainda que as taxas de juro da UEMOA permanecem entre as mais baixas do continente africano. Em 2025, a taxa diretora da União situava-se em 3,25%, contra 7% na África do Sul, 21,5% no Gana e 27% na Nigéria.

O banco central reafirmou o compromisso de continuar a criar condições favoráveis ao financiamento das economias da União (Guiné-Bissau, Senegal, Togo, Benim, Costa do Marfim, Burkina Faso, Mali e Níger) através da condução da política monetária, da promoção da estabilidade financeira e do desenvolvimento do sistema financeiro regional. Segundo a instituição, a preservação da estabilidade dos preços e do poder de compra das populações continuará a ser a prioridade central da sua atuação.

Por: Jacimira Segunda Sia

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