LGDH exige abertura de inquérito criminal para esclarecer morte de militar por alegada descarga elétrica

A Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH) exigiu, esta terça-feira, 21 de julho de 2026, a abertura imediata de um inquérito criminal, com caráter de urgência, independente, imparcial e transparente, para esclarecer as circunstâncias da morte do militar e técnico de saúde do Hospital Militar Principal, Desejado de Sousa da Silva.

O militar morreu no passado dia 2 de julho, na localidade de Bor, alegadamente na sequência de uma descarga elétrica, após entrar em contacto com um poste de iluminação pública que, segundo relatos, se encontrava eletrificado.

A posição da LGDH foi apresentada pelo secretário nacional para a Comunicação da organização, Gueri Gomes Lopes, durante uma conferência de imprensa realizada na Casa dos Direitos, em Bissau, para manifestar preocupação com a demora das autoridades competentes no esclarecimento do caso.

Segundo Gueri Gomes Lopes, após ouvir os familiares da vítima, a LGDH enviou, no dia 7 de julho, uma carta ao Procurador-Geral da República solicitando a abertura urgente de um inquérito criminal para apurar as circunstâncias da morte de Desejado de Sousa da Silva e identificar eventuais responsabilidades legais.

A organização considera que uma eventual inação ou demora injustificada do Ministério Público, enquanto titular da ação penal, poderá comprometer a confiança dos cidadãos no sistema de justiça e reforçar a perceção de impunidade no país.

De acordo com o porta-voz da LGDH, até ao momento a organização não recebeu qualquer informação oficial que confirme a instauração do inquérito solicitado.

Perante esta situação, a Liga reiterou a exigência de uma investigação criminal independente e transparente, bem como do esclarecimento integral das circunstâncias da tragédia.

A LGDH defende igualmente a identificação e responsabilização criminal, civil, disciplinar e administrativa de todos os envolvidos, caso sejam confirmadas ações ou omissões negligentes.

A organização exige ainda a realização de uma perícia técnica independente ao poste de iluminação pública e às infraestruturas elétricas do local onde ocorreu o incidente, a divulgação pública das conclusões da investigação, a adoção urgente de medidas de inspeção, manutenção e reparação de infraestruturas elétricas potencialmente perigosas e a prestação do devido apoio à família da vítima.

Entretanto, familiares e moradores da localidade de Bor classificaram a morte de Desejado de Sousa da Silva como resultado de alegada negligência da Empresa de Eletricidade e Águas da Guiné-Bissau (EAGB).

Segundo os familiares, o poste de iluminação pública estaria a provocar descargas elétricas há cerca de um ano e a situação teria sido denunciada repetidamente às autoridades e através dos órgãos de comunicação social, sem que fossem adotadas medidas para eliminar o perigo.

Os familiares afirmam ainda que vários animais morreram eletrocutados no mesmo local antes da morte do militar, mas alegam que a empresa não interveio para reparar a infraestrutura.

Perante estes factos, apelam às autoridades judiciais para esclarecerem as circunstâncias da morte de Desejado de Sousa da Silva, apurarem as respetivas responsabilidades e explicarem as razões pelas quais o poste alegadamente perigoso não foi substituído.

Os familiares acusam igualmente a EAGB de não ter resolvido o problema e lamentam que, após a morte do militar, a empresa não tenha manifestado solidariedade para com a família da vítima nem prestado qualquer esclarecimento público sobre o caso.

Por Carolina Djemé

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