Ministra destaca papel das mulheres na paz e integração regional

A ministra da Mulher, Família e Solidariedade Social, Yessenia Ibrahim, afirmou esta sexta-feira, 31 de julho de 2026, que as mulheres das zonas fronteiriças e as agricultoras não representam um desafio para África, mas sim uma das maiores forças para a construção de um continente mais unido, seguro, inclusivo e próspero.

Yessenia Ibrahim falava na cerimónia de abertura da Jornada da Mulher Africana 2026, subordinada ao tema “Mulheres e Espaços Transfronteiriços: Liderança, Coesão Social e Governação Territorial”.

O evento foi organizado pelo Ministério da Mulher, Família e Solidariedade Social, em parceria com a Rede das Plataformas da Sociedade Civil para a Paz, Segurança e Governação Transfronteiriça (REPSFECO) e a Partners West Africa-Senegal (PWA Senegal).

A iniciativa, enquadrada na agenda “Mulheres, Paz e Segurança”, reuniu autoridades nacionais, parceiros internacionais e mulheres líderes de referência da sub-região, num dos hotéis da capital, Bissau.

Na ocasião, a governante afirmou que apoiar as mulheres é investir na paz, no desenvolvimento económico e na boa governação.

A ministra reforçou que as mulheres estão na linha da frente da promoção do diálogo comunitário, da resolução de conflitos, da construção da confiança no comércio transfronteiriço e do fortalecimento da integração regional.

Yessenia Ibrahim anunciou ainda que o Governo guineense está a trabalhar no reforço do empoderamento económico das mulheres rurais e transfronteiriças, através da eliminação de barreiras burocráticas, da facilitação da circulação segura de pessoas e bens e da melhoria do acesso ao financiamento, aos meios de produção e às tecnologias. Acrescentou que o Executivo continuará a combater todas as formas de violência e discriminação contra as mulheres.

Em representação do Sistema das Nações Unidas na Guiné-Bissau, Inoussa Kaboré afirmou que as mulheres que vivem nos espaços transfronteiriços entre a Guiné-Bissau, o Senegal e a Guiné-Conacri são simultaneamente produtoras, comerciantes, mediadoras e construtoras da paz.

Segundo Kaboré, são elas que mantêm vivas as economias locais, fortalecem as relações entre as comunidades e contribuem diariamente para a estabilidade social em regiões marcadas por desafios complexos.

O representante da ONU alertou, contudo, que as mulheres continuam expostas a múltiplas vulnerabilidades, enfrentando limitações no acesso à terra, ao crédito, aos mercados e à proteção social.

Por sua vez, a presidente regional da Rede das Mulheres Paz e Segurança da África Ocidental e governadora da Região de Gabú, Elisa Tavares Pinto, considerou que a situação nas zonas fronteiriças constitui um dos desafios mais difíceis, exigindo uma resposta conjunta e coordenada entre os países da região.

“Não podemos proteger as mulheres, meninas e crianças de forma isolada”, sublinhou.

Por fim, defendeu a harmonização das leis, o reforço da vigilância fronteiriça, a partilha de informações entre os serviços competentes e um trabalho mais próximo com as comunidades e líderes locais para promover mudanças de mentalidade.

Por: Aguinaldo Ampa

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *