Programa China-África de intercâmbio mediático beneficia jornalistas de mais de 150 países

O diretor-geral do Centro Internacional de Comunicação de Imprensa da China (CIPCC), Yu Lei, revelou que o programa de formação e intercâmbio cultural para jornalistas estrangeiros, criado em 2014, já capacitou mais de 1.051 profissionais provenientes de cerca de 150 países que mantêm relações diplomáticas com a China.

Segundo Yu Lei, a iniciativa tem como objetivo promover o intercâmbio, o entendimento mútuo e a cooperação no setor dos media entre a China e os países em desenvolvimento.

“Com o objetivo de promover o entendimento internacional e a cooperação no setor dos media entre a China e outros países em desenvolvimento, a Associação Chinesa de Diplomacia Pública (CPDA) criou, em 2014, este programa de formação e intercâmbio cultural. Desde então, cerca de 1.051 jornalistas de aproximadamente 150 países beneficiaram da iniciativa”, afirmou o responsável em entrevista ao jornal O Democrata.

Yu Lei abordou ainda os objetivos do programa, que inicialmente tinha a duração de dez meses e atualmente decorre ao longo de três meses, bem como as oportunidades proporcionadas aos participantes através de estágios em órgãos de comunicação social chineses.

Programa oferece formação em diversas áreas e intercâmbio cultural

O programa de capacitação e intercâmbio para jornalistas estrangeiros, promovido pela Associação Chinesa de Diplomacia Pública (CPDA) e implementado pelo Centro de Imprensa China-África (CAPC), surgiu na sequência de uma iniciativa do Fórum de Cooperação China-África (FOCAC).

Inicialmente com duração de dez meses, o programa foi posteriormente reduzido para quatro meses e encontra-se atualmente estruturado em sessões de três meses. A primeira decorre entre maio e a primeira quinzena de agosto, enquanto a segunda se realiza da segunda quinzena de agosto até novembro.

Em cada sessão, participam representantes de órgãos de comunicação social públicos e privados de diferentes países dos continentes africano, asiático, europeu e americano. Para além da formação jornalística e dos estágios em meios de comunicação chineses, os participantes assistem a conferências sobre desenvolvimento socioeconómico, diplomacia, ciência e tecnologia, cultura e outras áreas relacionadas com a realidade chinesa.

Os jornalistas são distribuídos por grupos regionais, nomeadamente África, América Latina e Caraíbas, e Euro-Ásia. O programa funciona em diferentes línguas de trabalho, incluindo inglês, francês, espanhol, árabe e russo, de forma a facilitar a participação dos profissionais oriundos das várias regiões abrangidas.

A iniciativa visa proporcionar aos jornalistas estrangeiros a oportunidade de viver e trabalhar temporariamente na China, adquirindo experiência profissional em órgãos de comunicação como a CGTN, o Diário do Povo e a Agência Xinhua. Ao longo dos anos, vários profissionais africanos e de outras regiões beneficiaram desta experiência.

Estágio na CGTN abre portas para o desenvolvimento profissional

Durante o estágio na televisão pública chinesa CGTN, particularmente no canal em língua francesa, foi possível encontrar jornalistas oriundos do Burkina Faso, da República Democrática do Congo, da Argélia e de outros países africanos que participaram no programa. Alguns acabaram mesmo por integrar os quadros da estação após demonstrarem um desempenho de destaque.

Yu Lei explicou que o programa abrange diversas vertentes de intercâmbio humano e profissional, permitindo aos participantes beneficiar de formação técnica especializada e participar em conferências sobre cultura, desenvolvimento e comunicação social na China.

Relativamente aos estágios, esclareceu que os participantes são organizados em grupos de dez ou mais jornalistas, distribuídos por diferentes plataformas e departamentos dos meios de comunicação parceiros.

Segundo o responsável, vários jornalistas que participaram nos primeiros anos do programa demonstraram elevado desempenho e, após regressarem aos seus países, receberam convites para trabalhar mediante contrato em organizações de comunicação social chinesas.

Questionado sobre as dificuldades enfrentadas por jornalistas da imprensa escrita durante os estágios televisivos, Yu Lei reconheceu que a adaptação nem sempre é simples, mas sublinhou que a experiência em televisão representa uma oportunidade valiosa para adquirir novas competências e impulsionar a progressão na carreira.

Sobre a ausência da língua portuguesa entre os idiomas de trabalho do programa, fator que constitui um desafio para jornalistas provenientes de países lusófonos, Yu Lei afirmou que o centro procura continuamente criar melhores condições para os participantes. Explicou, contudo, que a estrutura linguística atualmente adotada responde à distribuição geográfica dos beneficiários e às necessidades organizacionais do programa.

No que se refere à avaliação dos participantes, o diretor-geral destacou que a qualidade das reportagens produzidas constitui um dos principais critérios de apreciação. Para esse efeito, os jornalistas recebem acesso a informações consideradas relevantes e úteis para o desenvolvimento do seu trabalho profissional.

Por: Assana Sambú, Pequim

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