O presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH), Bubacar Turé, convidou a sociedade civil, homens e mulheres, a assumir a sua responsabilidade e a utilizar todas as ferramentas à sua disposição nas comunidades, escolas e bairros para combater a violência baseada no género.
A Liga defendeu um trabalho eficaz junto das lideranças religiosas e comunitárias para prevenir a violência baseada no género, promovendo uma sociedade assente no respeito pela dignidade humana, na paz, no diálogo, na tolerância e, sobretudo, na igualdade de oportunidades entre homens e mulheres.
O apelo foi lançado esta sexta-feira, 7 de agosto de 2026, durante a cerimónia de lançamento do Projeto de Prevenção e Combate à Violência no Género, sob o lema “Mindjer i Balur”, implementado pela Rede das Mulheres Mediadoras (REMUME).
O projeto atuará em quatro eixos fundamentais, entre os quais a informação, mobilização e sensibilização das comunidades, escolas e aldeias sobre os seus direitos.
A iniciativa prevê ainda ações de sensibilização sobre a importância da denúncia, bem como a capacitação de atores locais, líderes comunitários, professores, profissionais de saúde e do setor do turismo, para que incorporem a perspetiva de género e a proteção infantil nas suas atividades diárias.
A organização defensora dos direitos humanos pretende igualmente promover uma intervenção conjunta no setor turístico, incentivar a adoção de códigos de conduta, reforçar a advocacia junto dos decisores políticos, produzir evidências, reunir-se regularmente com as autoridades e acompanhar a criação do Comité de Proteção e Acolhimento de Crianças.
O projeto abrange cinco zonas de intervenção: Bafatá, São Domingos, Bolama-Bijagós, Bubaque e o Setor Autónomo de Bissau, e terá uma duração de 17 meses.
Na ocasião, Bubacar Turé alertou que, nos últimos anos, o país tem registado um aumento significativo dos casos de violência baseada no género nas suas diversas formas, nomeadamente casamento forçado, casamento infantil, violência doméstica e abuso sexual.
“Essas violações constituem uma afronta à dignidade das mulheres e uma grave violação dos direitos humanos”, declarou.
Segundo o responsável, a violência baseada no género não atinge apenas as mulheres e raparigas vítimas, mas produz efeitos que se propagam por toda a sociedade. “Destrói a dignidade e a confiança das vítimas, desestrutura famílias, traumatiza crianças, fragiliza os laços comunitários, perpetua desigualdades, limita a participação das mulheres na vida política, económica e social e compromete o desenvolvimento das comunidades”, afirmou.
Turé defendeu que combater e prevenir a violência baseada no género não significa apenas defender os direitos das mulheres, mas também proteger as famílias, fortalecer as comunidades, promover a justiça, preservar a dignidade humana e construir as bases de uma paz duradoura e de um desenvolvimento sustentável para a Guiné-Bissau.
O presidente da LGDH criticou ainda a ausência de uma atuação mais firme das instituições responsáveis pela aplicação das leis destinadas a prevenir e combater a violência baseada no género.
O ativista destacou a importância do projeto, afirmando que ele não apenas promoverá campanhas de sensibilização nas comunidades numa perspetiva de prevenção, mas também servirá para alertar as autoridades nacionais e demais entidades responsáveis pela proteção dos direitos dos cidadãos sobre a necessidade de adotar medidas eficazes para a erradicação definitiva da violência baseada no género na Guiné-Bissau.
Por sua vez, a coordenadora do Projeto de Prevenção e Combate à Violência no Género, Magda Francisca Correia, afirmou que a iniciativa permitirá amplificar as vozes das mulheres, não apenas no combate à violência, mas também na sua participação na vida pública e política, bem como na promoção da saúde e dos direitos humanos.
Magda Correia explicou ainda que o projeto contribuirá para a redução dos níveis de violência baseada no género, sobretudo entre mulheres e crianças.
“Embora existam leis contra a violência, os casos continuam a aumentar na Guiné-Bissau, com maior incidência nas zonas insulares do país”, afirmou.
A coordenadora identificou a exploração turística como um dos principais problemas e explicou que o projeto irá desenvolver ações específicas nas ilhas para reduzir a exploração de adolescentes nessas zonas.
Por: Carolina Djeme


















