Oposição agrupada na “Frente Única” rejeita referendo e convoca boicote

As organizações político-partidárias, movimentos sociais e organizações da sociedade civil que integram a denominada “Frente Única” classificaram como uma “farsa” o referendo anunciado para 30 de agosto de 2026 pelas autoridades militares.

Num comunicado consultado por O Democrata, as organizações defendem que o objetivo da consulta popular é legitimar os atos ocorridos em 26 de novembro de 2025, data em que foi impedida a proclamação dos resultados eleitorais.

Segundo o documento, a participação num referendo para adoção de uma Constituição já aprovada e publicada no Boletim Oficial por entidades consideradas ilegítimas pela “Frente Única” representaria um reconhecimento político do grupo que, segundo aquelas organizações, tem sido responsável por sucessivos golpes de Estado nos últimos dez anos na Guiné-Bissau.

Integram a “Frente Única” a Coligação PAI Terra-Ranka, a Coligação API Cabas Garandi, a União Nacional dos Trabalhadores da Guiné (UNTG-CS) – ala liderada por Júlio Mendonça, o Movimento Político Firkidja di Pubis, o Movimento Político Frente Popular, o Pacto Social e o Movimento Revolucionário Pó di Terra.

As organizações afirmam que a Constituição da República é a carta fundamental do povo e que qualquer alteração ao seu conteúdo só pode ocorrer com a participação popular e através dos seus representantes legítimos, que devem atuar dentro dos limites do seu mandato e em conformidade com os princípios consagrados na Carta Magna.

“Na ausência desses pressupostos legais e perante a captura das instituições do Estado, a supressão das liberdades políticas e democráticas, o assalto às sedes dos partidos políticos não alinhados com o regime, a convocação de uma consulta popular neste contexto não passa de demagogia de um regime”, lê-se no comunicado.

Perante este cenário, a “Frente Única” apela ao povo guineense para boicotar o referendo marcado para 30 de agosto e convida os cidadãos a permanecerem em casa como forma de expressar a sua rejeição a uma iniciativa que, na sua perspetiva, visa legitimar o regime.

Por: Tiago Seide

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