A ministra dos Negócios Estrangeiros, Cooperação Internacional e das Comunidades, Fatumata Jau, defendeu, em Addis Abeba, na Etiópia, uma maior atenção às vulnerabilidades dos Países Menos Avançados (PMA), ao financiamento da resiliência e à transformação económica sustentável.
A governante participa na Revisão Ministerial Regional Africana de Meio Percurso do Programa de Ação de Doha para os Países Menos Avançados (2022-2031), que decorre na capital etíope.
Segundo uma nota do Governo consultada pelo jornal O Democrata, a participação da Guiné-Bissau no encontro enquadra-se numa estratégia de diplomacia económica e de desenvolvimento, destinada a reforçar a voz do país nos fóruns multilaterais, mobilizar parcerias, financiamento, investimento e tecnologia, bem como aproximar a ação externa das necessidades concretas da população.
“A mensagem da Guiné-Bissau é clara: o país não pretende apenas acompanhar a agenda internacional de desenvolvimento. Pretende participar na sua definição, assumir as reformas que lhe competem e transformar as parcerias internacionais em resultados concretos para a população”, refere o documento.
O encontro, realizado nos dias 8 e 9 de setembro de 2026, reúne governos africanos e parceiros internacionais para avaliar os progressos alcançados na primeira metade da implementação do Programa de Ação de Doha e definir as prioridades que deverão orientar a sua execução nos próximos anos.
Na sua intervenção ministerial, a Guiné-Bissau apresentou os avanços registados apesar das vulnerabilidades estruturais que continuam a condicionar o desenvolvimento nacional.
Entre os progressos destacados figuram o crescimento económico de 4,1% em 2024, a desaceleração da inflação, melhorias na gestão das finanças públicas e avanços nos setores da saúde, educação, proteção social, energia e conectividade.
Fatumata Jau sublinhou igualmente a integração do Programa de Ação de Doha e dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) no Plano Nacional de Desenvolvimento 2026-2034, com o objetivo de assegurar maior coerência entre as prioridades nacionais e os compromissos internacionais.
A ministra reconheceu, contudo, que persistem desafios importantes para o desenvolvimento do país.
Neste sentido, apresentou uma agenda de reformas centrada na mobilização de receitas internas, na diversificação da economia, na transformação e valorização da castanha de caju, no desenvolvimento da economia azul, das pescas sustentáveis, do turismo e no reforço das capacidades institucionais.
No plano internacional, a governante defendeu três prioridades fundamentais: que a vulnerabilidade multidimensional tenha um peso efetivo nas decisões de apoio aos Países Menos Avançados; que o financiamento da adaptação climática e da resiliência não gere novas vulnerabilidades através do aumento da dívida; e que haja uma maior responsabilização mútua entre governos e parceiros de desenvolvimento, com compromissos claros e resultados mensuráveis.
A participação guineense nas sessões de trabalho incidiu ainda sobre três áreas diretamente ligadas às prioridades nacionais: investimento no capital humano e redução da pobreza, ciência, tecnologia e inovação, e transformação estrutural da economia, com maior criação de valor acrescentado e emprego no território nacional.
Por: Filomeno Sambú
















