A Universidade Jean Piaget da Guiné-Bissau (Unipiaget) revelou, através de um estudo académico, que o comércio bilateral entre a China e a Guiné-Bissau atingiu, em 2024, cerca de 97,58 milhões de dólares, o equivalente a aproximadamente 58 mil milhões de francos CFA, representando um crescimento de 55,7% em relação ao ano anterior.
Os dados constam de um estudo apresentado na terça-feira, 8 de setembro de 2026, no anfiteatro da universidade, na presença do reitor da instituição, Aladje Baldé, de representantes da Embaixada da China na Guiné-Bissau e de estudantes.
O trabalho foi realizado pelo Centro Avançado de Investigação e Promoção do Desenvolvimento Sustentável (CAI) e pela Divisão de Investigação Internacional e Desenvolvimento do Agronegócio em África (DIIDAA), estruturas incubadas na Universidade Jean Piaget da Guiné-Bissau no âmbito do Grupo de Pesquisa e Extensão em Economia e Gestão (GEPE).
A investigação contou ainda com a cooperação científica do Centro de Investigação da Faculdade de Marxismo da Universidade de Fuzhou, na província chinesa de Fujian, e apresenta um panorama considerado favorável para o investimento chinês em setores como mineração, petróleo, transportes, habitação, saneamento e pescas.
Intitulado “Investimento e Cooperação Cinturão e Rota China-África”, o estudo está estruturado em vários capítulos, entre os quais se destacam: Potencialidades Económicas da Guiné-Bissau para o Investimento Privado Chinês; Visão Geral das Principais Indústrias de Investimento da China em Países Africanos; Situação Básica do Cinturão e Rota e as Políticas da China; e Direções Futuras do Investimento da China e Perspetivas de Cooperação com os Países da Iniciativa Cinturão e Rota em África.
Mais de 160 empresas chinesas operam na Guiné-Bissau, revela estudo universitário
De acordo com os investigadores da Unipiaget, existem atualmente 168 empresas chinesas registadas na Guiné-Bissau, atuando principalmente nos setores das pescas, mineração, comércio e construção civil.
O estudo identificou igualmente 26 cadeias de valor com potencial para captar investimentos chineses no âmbito da Iniciativa Faixa e Rota China-África, destacando setores estratégicos como a transformação da castanha de caju, a piscicultura e as infraestruturas turísticas.
O documento sustenta que a integração da Guiné-Bissau na Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), na União Económica e Monetária Oeste-Africana (UEMOA) e na União Africana amplia significativamente os mercados acessíveis aos investidores.
Contudo, os autores alertam que a concretização dessas oportunidades depende do reforço das infraestruturas, da qualificação dos recursos humanos, da inovação e da estabilidade institucional do país.
O estudo recomenda ao setor privado chinês que aposte em projetos produtivos, sustentáveis e de longo prazo, ao mesmo tempo que encoraja os empresários guineenses a fortalecer parcerias, participar em eventos empresariais e melhorar a sua capacidade de negociação com empresas chinesas.
O documento sugere ainda que os investidores chineses encarem a Guiné-Bissau como uma porta de entrada para os mercados africanos e recomenda às autoridades nacionais que facilitem os investimentos estrangeiros, reforcem a segurança jurídica e promovam o acesso dos produtos guineenses ao mercado chinês.
Em declarações à imprensa, o coordenador da equipa de investigação, Ansu Mancal, destacou a relevância da Iniciativa Faixa e Rota para o desenvolvimento económico da Guiné-Bissau, sublinhando que o mecanismo cria condições favoráveis para a mobilização de investimentos chineses, tanto públicos como privados.
O investigador reconheceu, porém, que a Guiné-Bissau continua a enfrentar dificuldades na promoção das suas potencialidades económicas junto do mercado chinês, defendendo a necessidade de estabelecer parcerias sólidas com Pequim para reduzir esse défice de visibilidade e potenciar novas oportunidades de negócios.
Por: Redação
O Democrata/Rádio Capital FM


















