PM defende construção de mecanismos de financiamento para transformação local do caju

O primeiro-ministro, Ilídio Vieira Té, defendeu a necessidade de criar mecanismos de financiamento acessíveis, transparentes e economicamente viáveis, capazes de permitir que o setor do caju reduza a sua dependência da exportação de matéria-prima e avance de forma decisiva para a transformação local.

O chefe do Executivo falava esta quarta-feira, 9 de setembro de 2026, durante a cerimónia de empossamento da Comissão Organizadora da Mesa Redonda sobre o Financiamento Sustentável da Cadeia de Valor do Caju na Guiné-Bissau.

Segundo o governante, a iniciativa pretende contribuir para uma mudança de paradigma num setor vital para a economia nacional e promover uma transformação social profunda, com impacto em áreas essenciais como a educação, a saúde e o emprego das famílias guineenses.

No seu discurso, Ilídio Vieira Té destacou que um dos grandes desafios do país é mobilizar financiamento sustentável para todos os elos da cadeia de valor, desde a produção até ao acesso aos mercados nacionais e internacionais, passando pela organização dos produtores, comercialização, transformação, armazenamento e transporte.

“O desenvolvimento do setor do caju não pode continuar a ser encarado apenas na perspetiva da exportação da castanha em bruto. Temos de avançar para uma cadeia de valor mais moderna, produtiva, competitiva e capaz de gerar maior valor acrescentado dentro do nosso país”, defendeu.

O primeiro-ministro sublinhou ainda que o caju constitui um dos pilares da economia nacional e uma fonte essencial de rendimento para milhares de famílias, sobretudo nas zonas rurais da Guiné-Bissau.

Neste contexto, afirmou que a Mesa Redonda representa uma oportunidade importante para o Estado, o setor privado, as instituições financeiras, os produtores e os parceiros de desenvolvimento.

“Queremos uma cadeia de valor que gere emprego, aumente o rendimento das famílias, promova o empreendedorismo dos jovens e das mulheres e contribua para a diversificação da nossa economia”, afirmou.

Vieira Té enfatizou que a valorização do caju deve caminhar lado a lado com a adoção de práticas agrícolas sustentáveis e com a proteção dos recursos naturais, numa altura em que as alterações climáticas representam um desafio crescente para a agricultura.

Dirigindo-se aos membros da comissão empossada, deixou uma mensagem de confiança e responsabilidade, manifestando a expectativa de que o trabalho seja conduzido com rigor, participação e foco em resultados concretos, capazes de transformar o potencial da cadeia de valor do caju em oportunidades efetivas de investimento e desenvolvimento.

Por fim, reafirmou o compromisso do Governo em continuar a trabalhar com todos os parceiros para criar um ambiente favorável ao investimento, à transformação local e à sustentabilidade deste setor estratégico.

Por sua vez, o presidente da Comissão da Mesa Redonda, Henrique Horta dos Santos, explicou que o objetivo da equipa é coordenar todo o processo de mobilização dos fundos previstos no âmbito da mesa redonda, agendada para novembro próximo, com vista à promoção de um financiamento sustentável para a fileira do caju na Guiné-Bissau.

Nesse sentido, mostrou-se confiante na experiência da equipa multidisciplinar constituída para desenvolver as atividades previstas num plano de trabalho já definido.

A partir desta quarta-feira, a Comissão da Mesa Redonda dispõe de apenas alguns meses para mobilizar parceiros bilaterais e multilaterais, bem como outros potenciais financiadores, com vista ao sucesso da iniciativa.

Por: Carolina Djeme

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