O comentador desportivo guineense Sabino da Silva afirmou que o setor desportivo da Guiné-Bissau enfrenta, há vários anos, graves problemas estruturais, marcados pela ausência de uma verdadeira Política Nacional do Desporto, pela insuficiência de legislação estruturante, pela falta de regulamentação adequada e pela escassez de infraestruturas e condições para a prática desportiva no país.
“Na Guiné-Bissau, há anos que se verificam problemas estruturais no setor desportivo, caracterizados pela ausência de uma verdadeira Política Nacional do Desporto, pela ausência ou insuficiência de legislação estruturante para o setor, pela falta de regulamentação adequada das atividades desportivas e pela carência de infraestruturas e condições para a prática desportiva”, afirmou.
Segundo Sabino da Silva, persiste igualmente a insuficiência de apoios aos clubes, academias e federações desportivas, bem como a ausência de mecanismos eficazes de acompanhamento do desporto de formação.
As declarações constam de uma nota publicada esta quinta-feira, 10 de setembro, na sua página oficial do Facebook.
A posição do comentador surge em resposta às afirmações da Federação de Futebol da Guiné-Bissau (FFGB) e da Direção-Geral dos Desportos, que atribuíram responsabilidades aos agentes do futebol, bem como aos pais e encarregados de educação dos jogadores, pela desqualificação da seleção nacional Sub-17 do Torneio Qualificativo da CAN da categoria da Zona UFOA-A.
De acordo com o comentador, residente em Portugal, não é justo que, perante um problema, a primeira reação seja responsabilizar os pais e as academias.
“O diretor-geral dos Desportos não pode responsabilizar os pais e os responsáveis pelas academias por tudo o que acontece no futebol de formação, ignorando as responsabilidades da própria Direção-Geral dos Desportos e da FFGB”, sustentou.
Jurista de profissão, Sabino da Silva recordou ainda à Direção-Geral dos Desportos que o futebol de formação não existe à margem do Estado.
“As academias, os clubes, os treinadores, os pais e os jovens jogadores fazem parte de um sistema desportivo que deve ser acompanhado, regulamentado e fiscalizado pelas instituições competentes”, lê-se na publicação consultada pela secção desportiva do Jornal O Democrata.
Portador de uma pós-graduação em Direito do Desporto, Silva questionou igualmente a falta de apoios aos clubes e às federações desportivas, bem como a resposta da Direção-Geral dos Desportos às denúncias apresentadas por alguns clubes relativamente à gestão e liderança da FFGB.
Após a desqualificação da seleção nacional Sub-17 da Guiné-Bissau, na semana passada, por integrar no plantel dez jogadores com idade superior à permitida pelo regulamento, multiplicaram-se as trocas de acusações entre a FFGB e alguns empresários ligados ao futebol.
Em conferência de imprensa realizada na última terça-feira, o presidente da FFGB, Carlos Mendes Teixeira “Caíto”, garantiu que a instituição irá disponibilizar ao Governo todos os elementos de prova relacionados com a atuação de determinados empresários que, segundo afirmou, têm prejudicado o desenvolvimento do futebol nacional.
Segundo explicou o dirigente federativo, o objetivo é permitir que o Executivo adote mecanismos de controlo, promova notificações e aplique medidas corretivas aos envolvidos.
O Torneio Qualificativo da CAN Sub-17 da Zona UFOA-A decorre no Senegal entre os dias 7 e 20 de setembro de 2026 e serve de apuramento para o Campeonato Africano das Nações da categoria.
Refira-se que, na última edição da competição, a Guiné-Bissau terminou na terceira posição.
Por: Alison Cabral

















