Moeda eletrónica impulsiona inclusão financeira na Guiné-Bissau, diz BCEAO

A taxa de acesso aos serviços financeiros na Guiné-Bissau aumentou de 20,5% em 2018 para 79,5% no final de 2025, um crescimento impulsionado sobretudo pela expansão da moeda eletrónica. Os dados foram divulgados esta quinta-feira, 10 de setembro de 2026, pela diretora nacional do Banco Central dos Estados da África Ocidental (BCEAO), Zenaida Maria Lopes Cassamá, durante o lançamento do Programa Nacional de Educação Financeira (PNEF) 2026-2030.

Ao intervir na cerimónia, Zenaida Maria Lopes Cassamá destacou que os progressos alcançados refletem os esforços desenvolvidos para aproximar os cidadãos dos serviços financeiros formais, através de soluções digitais mais acessíveis.

“De acordo com os dados disponíveis, a taxa global de acesso passou de 20,5% em 2018 para 79,5% no final de 2025, evolução que se deve, em grande medida, ao desenvolvimento da moeda eletrónica”, afirmou.

Apesar dos avanços registados, a responsável sublinhou que a inclusão financeira só produzirá resultados duradouros se vier acompanhada de uma maior literacia financeira da população. Segundo explicou, o conhecimento sobre produtos e serviços financeiros é essencial para que os cidadãos possam tomar decisões informadas sobre poupança, crédito, investimento e gestão dos seus recursos.

Nesse sentido, defendeu que a educação financeira deve alcançar os segmentos mais vulneráveis e menos abrangidos pelos serviços financeiros tradicionais.

“Devemos prestar especial atenção aos jovens, às mulheres, às populações rurais, aos pequenos produtores, aos comerciantes, bem como às micro, pequenas e médias empresas. A educação financeira deve chegar a estas populações e proporcionar-lhes soluções concretas”, sustentou.

A diretora nacional do BCEAO salientou ainda que o recurso às tecnologias móveis representa uma oportunidade para acelerar a inclusão financeira no país, sobretudo em zonas onde os serviços bancários continuam limitados.

Segundo observou, numa realidade em que uma parte significativa da população reside longe das agências bancárias, a utilização do telemóvel para realizar operações financeiras pode reduzir as barreiras geográficas e facilitar o acesso aos serviços.

“Num país como a Guiné-Bissau, onde uma parte importante da população vive longe das agências bancárias, a possibilidade de utilizar o telemóvel para aceder aos serviços financeiros pode transformar profundamente a realidade”, afirmou.

O lançamento do Programa Nacional de Educação Financeira 2026-2030 surge precisamente neste contexto de expansão do acesso aos serviços financeiros. O instrumento foi concebido para responder ao baixo nível de literacia financeira da população e promover uma maior compreensão sobre a utilização dos produtos financeiros disponíveis.

PM transmite determinação do Governo em melhorar a gestão das finanças públicas do país

Durante a cerimónia, o primeiro-ministro de transição, Ilídio Vieira Té, considerou que o programa faz parte de uma estratégia mais ampla de modernização da economia nacional. Segundo disse, o Governo está empenhado em melhorar a gestão das finanças públicas, reforçar a mobilização das receitas internas, modernizar a administração pública e criar um ambiente mais favorável ao investimento privado.

O chefe do Executivo assegurou igualmente que a educação financeira será alargada a todo o território nacional, abrangendo escolas, mercados, associações juvenis e femininas, organizações de produtores, empreendedores e pequenas e médias empresas.

Por sua vez, o ministro da Educação Nacional, Ensino Superior e Investigação Científica, Barros Bacar Banjai, defendeu a introdução progressiva da educação financeira em todos os níveis de ensino, desde a escolaridade básica até ao ensino superior e à formação técnico-profissional.

Segundo o governante, as crianças deverão adquirir, desde cedo, conhecimentos relacionados com a poupança, o consumo responsável e a tomada consciente de decisões, enquanto os alunos do ensino secundário deverão aprofundar temas ligados à gestão financeira familiar, crédito, juros, meios de pagamento digitais, empreendedorismo e direitos dos consumidores.

O responsável considerou ainda que a educação financeira e a formação profissional devem caminhar lado a lado, contribuindo para uma melhor preparação dos jovens para os desafios económicos e profissionais.

No encerramento da sua intervenção, Zenaida Maria Lopes Cassamá reafirmou o compromisso do BCEAO em continuar a prestar apoio técnico às autoridades nacionais, com vista à implementação de iniciativas que reforcem a educação financeira e consolidem os avanços registados no acesso aos serviços financeiros na Guiné-Bissau.

Por: Natcha Mário M’Bundé

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