O professor e escritor Tony Costa foi distinguido como vencedor do Edital de Obras Literárias PODES 2026 com o romance “Sankofa: O Regresso que Funda”, na categoria de Prosa e Poesia. A obra foi apreciada por um júri composto por especialistas e investigadores da literatura durante o processo de avaliação do concurso.
Segundo o autor, Sankofa: O Regresso que Funda é uma obra profundamente ligada à memória africana, às raízes culturais, à identidade e ao sentimento de pertença.
“Recebo esta distinção com gratidão, mas também com a consciência de que devo corresponder à confiança que nela foi depositada. Esta conquista leva-me igualmente a refletir sobre o percurso da nossa produção literária. Durante muito tempo, a poesia ocupou um lugar de maior destaque, enquanto o romance e o conto surgiam com menor frequência. Hoje, estes géneros conquistam novo espaço, ao lado da poesia, revelando uma produção literária mais diversificada. Esse crescimento, porém, exige qualidade. Publicar mais não significa necessariamente escrever melhor. Precisamos de leitores, de espaços de debate e de uma crítica literária mais presente. Exercida com seriedade, a crítica ajuda a identificar fragilidades, aperfeiçoar a escrita e fortalecer a criação literária”, afirmou Tony Costa ao jornal O Democrata.
Biografia
António da Costa nasceu a 7 de março, em Ponta Vicente, na região de Biombo. Após concluir os estudos primários, mudou-se para Bissau, onde prosseguiu a sua formação liceal. Em 1993, concluiu o ensino secundário no Liceu Dr. Agostinho Neto.
Em 2006, licenciou-se em Língua Portuguesa, Literaturas e Culturas Lusófonas na Unidade de Ensino Tchico Té. Em novembro de 2025, iniciou o mestrado em Língua Portuguesa na Universidade do Minho, em Portugal.
Atualmente, é professor de Língua Portuguesa na Tchico Té, na Universidade Lusófona da Guiné e na Universidade Amílcar Cabral.
Em 1996, fundou e liderou a Associação dos Jovens de Bissau Velho (AJOBIV). Um ano depois, promoveu a primeira Feira Nacional de Arte e Gastronomia Guineense (FENAG).
Em 1998, devido à guerra civil de 7 de Junho, refugiou-se em Tchiès, no Senegal, onde criou e liderou a Associação dos Refugiados (Escritores) em Tchiès (ARETCH).
Após o fim do conflito, regressou à Guiné-Bissau e fundou o movimento cultural Baloba di Djorson, que, a par do grupo Poetas Mortos, reuniu uma parte significativa da nova geração de escritores guineenses.
Desde 2006, exerce funções como docente contratado no Centro de Língua Portuguesa de Bissau/Instituto Camões. Desde 2009, leciona Português como Língua Intercultural na Embaixada do Brasil em Bissau.
Em 2019, assumiu as funções de chefe de gabinete do Secretário de Estado do Ensino Superior e Investigação Científica. Em 2022, passou a exercer o cargo de chefe de gabinete do Ministro da Educação Nacional, Ensino Superior e Investigação Científica. Em 2024, desempenhou as funções de chefe de gabinete do Secretário de Estado da Juventude, Cultura e Desportos.
Entre 2010 e 2012, participou na primeira antologia de poesia da nova geração de escritores da Guiné-Bissau, Traços no Tempo, volumes I e II.
Em 2014, publicou Ntin, o seu romance de estreia.
Dois anos depois, participou com o conto A Menina de Ouro num concurso de contos infantojuvenis promovido pela FEC.
Em 2020, integrou a Comissão Instaladora do Instituto Guineense de Línguas da Guiné-Bissau, na qualidade de secretário executivo, e tornou-se membro da Comissão Nacional do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP).
Nesse mesmo ano, participou na elaboração da Carta da Política Cultural da Guiné-Bissau, iniciativa patrocinada pela CEDEAO, através do seu Comissariado para a Educação, Ciência e Cultura.
É membro fundador da ONG Polon – Arte e Cultura, onde coordena a área da Literatura.
Em 2024, coordenou o projeto O Regresso de Ntori Palan, promovido pela ONG Polon – Arte e Cultura, financiado pela União Europeia e cofinanciado e gerido pelo Camões, I.P.
Ainda em 2024, foi revisor de três bandas desenhadas vencedoras do concurso “Arte pelos Direitos Humanos”.
Para além da educação e da cultura, destacou-se também no desporto como judoca e basquetebolista. Enquanto jogador de basquetebol, representou as seleções nacionais de juniores e seniores da Guiné-Bissau.
Por: Epifânia Mendonça


















