O presidente do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Domingos Simões Pereira, acusou “forças ilegítimas” de tentarem fragilizar o partido, perseguir os seus militantes e silenciar a sua voz política no país.
Segundo o líder do PAIGC, a história da independência guineense foi construída num contexto de resistência a múltiplos desafios e continua, atualmente, a enfrentar novas ameaças.
“A história da nossa independência não foi uma linha reta. Foi marcada por batalhas internas e externas, pela resistência à intimidação e às tentativas de divisão. Hoje, enfrentamos novas ameaças, não de um poder colonial, mas de forças ilegítimas que procuram fragilizar o PAIGC, perseguir os seus militantes e silenciar a sua voz”, declarou.
Num vídeo consultado pelo jornal O Democrata, Simões Pereira falava no sábado, durante a cerimónia que assinalou o 70.º aniversário da fundação do PAIGC, realizada em Lisboa.
Ao justificar a realização das celebrações em território português, Simões Pereira recordou a posição histórica dos fundadores do partido.
“As pessoas não se devem estranhar por estarmos a celebrar os 70 anos do partido em Portugal. Os pais fundadores do PAIGC souberam separar, de forma clara, a luta contra o fascismo e o colonialismo de qualquer tentativa de envolver o povo português nesse combate”, disse.
Domingos Simões Pereira encontra-se atualmente em Lisboa desde a sua libertação, em julho último. Uma parte significativa dos dirigentes e militantes do PAIGC reside igualmente em Portugal e noutros países europeus.
Encerramento das sedes partidárias e críticas ao referendo
Sobre o encerramento das sedes partidárias próximas de órgãos de soberania, Domingos Simões Pereira defendeu que a sede do PAIGC tem um valor histórico que ultrapassa a sua função administrativa.
“A sede do PAIGC é mais do que um edifício. É um símbolo da nossa história, da nossa identidade e do sacrifício coletivo”, afirmou, acrescentando que o espaço guarda documentos e registos históricos de elevado valor.
O líder do PAIGC denunciou ainda o agravamento das restrições às liberdades públicas, apontando o encerramento de sedes partidárias, limitações à atividade política e a repressão de defensores dos direitos democráticos.
Simões Pereira criticou igualmente o referendo constitucional de 30 de agosto, que considerou ter sido realizado em violação dos princípios do Estado de direito democrático.
Apesar das críticas, apelou ao diálogo e ao consenso político para evitar uma crise mais profunda no país. “Não estamos a convidar ao confronto, mas a alertar para os riscos do caminho atual. É preciso dialogar e encontrar soluções de consenso que permitam ao povo guineense sentir-se representado”, advertiu.
Homenagem aos fundadores
Durante a cerimónia, Simões Pereira recordou o centenário de Vasco Cabral e prestou homenagem aos seis fundadores do PAIGC: Amílcar Cabral, Luís Cabral, Aristides Pereira, Júlio Almeida, Fernando Fortes e Elise Turpin.
O líder partidário evocou ainda os combatentes da luta de libertação nacional e figuras como Vigário Luís Balanta, Papa Fanhé e Tano Bari, defendendo que o país não deve esquecer aqueles que sacrificaram as suas vidas pela liberdade e democracia.
Por: Aguinaldo Ampa


















