PPM-GB pede entendimento entre Governo e sindicatos para proteger cidadãos

A Plataforma Política das Mulheres da Guiné-Bissau (PPM-GB) apelou ao Governo de Transição, aos sindicatos e aos demais parceiros sociais para que privilegiem, de forma permanente, o diálogo, a negociação e a concertação social como meios de resolução das reivindicações laborais, garantindo simultaneamente os direitos dos trabalhadores e a continuidade dos serviços essenciais à população.

O apelo foi lançado esta segunda-feira, 21 de setembro de 2026, pela presidente da PPM, Silvina Tavares, durante uma conferência de imprensa alusiva às comemorações do Dia Internacional da Paz, assinalado sob o lema: “Investir na Paz: para todos, em todos os lugares e todos os dias”.

Na ocasião, Silvina Tavares alertou para a necessidade urgente de encontrar soluções duradouras para os problemas laborais que estão na origem das sucessivas paralisações. Segundo afirmou, as greves não podem transformar-se numa rotina nacional, sendo necessário criar mecanismos eficazes de diálogo social capazes de prevenir conflitos.

A responsável manifestou a preocupação da organização com as frequentes paralisações que têm afetado setores essenciais da vida nacional, particularmente a educação, a saúde e a justiça.

“Quando as escolas permanecem fechadas, são as crianças e os jovens que perdem oportunidades de aprendizagem. Quando os serviços de saúde são interrompidos, são as mulheres, as crianças, os idosos e outras pessoas vulneráveis que podem ficar sem atendimento. Da mesma forma, quando o funcionamento da justiça é afetado, são os cidadãos que aguardam pela proteção dos seus direitos e pela resolução dos seus conflitos”, sublinhou.

Silvina Tavares destacou ainda que o lema deste ano recorda que a paz não deve ser entendida apenas como ausência de guerra ou de conflito armado.

“A paz constrói-se todos os dias, quando uma criança pode ir à escola sem interrupções; quando uma mulher pode viver na sua casa sem medo da violência; quando uma pessoa com deficiência tem acesso à educação, à saúde, ao emprego e à participação social; e quando um cidadão pode recorrer à justiça e obter uma resposta em tempo razoável”, afirmou.

A presidente da PPM reconheceu que os trabalhadores têm direitos laborais, incluindo o direito à greve nos termos da lei. Contudo, salientou que as greves prolongadas produzem consequências diretas na vida da população.

Tavares chamou igualmente a atenção para as dificuldades económicas enfrentadas diariamente pelas famílias guineenses, agravadas pelo aumento do custo dos bens e serviços essenciais, situação que exerce uma forte pressão sobre os agregados familiares, sobretudo os de baixo rendimento.

Nesse sentido, apelou às autoridades competentes para reforçarem as medidas destinadas a reduzir o impacto do custo de vida, melhorar a segurança alimentar, proteger os consumidores, promover oportunidades de emprego digno, apoiar os pequenos produtores e comerciantes, fortalecer os mecanismos de proteção social e criar condições para uma vida mais digna para as famílias.

A dirigente exortou igualmente o Estado, os parceiros de desenvolvimento, o setor privado e a sociedade civil a ampliarem os investimentos destinados à formação, ao empreendedorismo, ao fortalecimento da liderança feminina e à participação política das mulheres.

“Precisamos de políticas públicas que transformem a igualdade formal em igualdade efetiva de oportunidades”, defendeu.

Na sua mensagem, Silvina Tavares também apelou à adoção de ações concertadas contra práticas nefastas que violam os direitos, a dignidade e a integridade das mulheres e das crianças.

Segundo a responsável, é fundamental envolver autoridades tradicionais, líderes religiosos, comunidades, organizações de mulheres, jovens, homens, escolas, profissionais de saúde, forças de segurança e o sistema judicial na transformação das normas sociais que legitimam ou silenciam essas práticas.

A presidente da PPM-GB afirmou acreditar que a participação das mulheres não deve limitar-se ao papel de beneficiárias das políticas públicas. Pelo contrário, defendeu que as mulheres devem assumir um papel protagonista na economia, na cultura, na política, na resolução de conflitos e na construção da paz.

Para a dirigente, o diálogo permanente e a procura consensual de soluções devem prevalecer, garantindo simultaneamente os direitos dos trabalhadores e o normal funcionamento dos serviços públicos.

Silvina Tavares reafirmou, por fim, o compromisso da PPM de continuar a trabalhar para que cada mulher guineense possa exercer plenamente os seus direitos, participar nos processos de decisão e construir a sua própria autonomia.

Por: Carolina Djeme

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