O coordenador da Oficina de Máscaras, Dodo Pereira Tecanhe, afirmou esta quarta-feira, 23 de setembro de 2026, que o projeto pretende formar 484 escultores em todo o território nacional na arte de conceção e construção de máscaras.
Dodo Pereira Tecanhe falava na cerimónia de abertura de um workshop sobre máscaras, realizada no Centro Cultural Franco-Bissau, onde explicou que a iniciativa surgiu como resposta ao desaparecimento gradual das máscaras das festividades carnavalescas na Guiné-Bissau.
Segundo o responsável, a próxima etapa do projeto será a mobilização de financiamento para que os formandos possam produzir máscaras destinadas à participação no Carnaval de 2027, à semelhança do que acontecia anteriormente durante as celebrações do tradicional Nturudu.
Para inverter esta tendência, Tecanhe disse ter decidido liderar a iniciativa com o objetivo de capacitar pessoas em todas as regiões do país, aumentando a produção de máscaras e reforçando a sua presença naquela que é considerada a maior manifestação cultural nacional.
Os participantes do workshop, explicou, já possuem conhecimentos básicos sobre a produção de máscaras e estão a receber formação especializada, incluindo técnicas de construção da Máscara Marioneta.
“Espero que os participantes sejam multiplicadores dos conhecimentos que vão adquirir aqui. Precisamos de começar a formar mais pessoas na área da construção de máscaras, permitindo que os cidadãos voltem a assistir a uma das maiores expressões culturais do país”, afirmou.
Questionado pelo jornal O Democrata sobre o processo de seleção dos beneficiários da formação, Dodo Tecanhe explicou que a escolha será feita pelos delegados regionais da Cultura, privilegiando jovens com talento para o desenho e aptidão artística para integrarem as oficinas de máscaras.
De acordo com o coordenador, os nomes dos selecionados serão posteriormente enviados aos formadores para o arranque das ações de capacitação nas diferentes regiões.
Ministério da Cultura apoia iniciativa
Por sua vez, o assessor jurídico da ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Akesse Quadé, destacou a importância da iniciativa para a recuperação de uma tradição que marcou durante décadas os festejos carnavalescos no país.
Segundo afirmou, o Nturudu sempre ocupou um lugar central nas celebrações do Carnaval, mas a Guiné-Bissau foi perdendo progressivamente a identidade associada às máscaras tradicionais.
“É de elogiar o trabalho que está a ser desenvolvido pela Oficina de Máscaras, numa altura em que se procura recuperar uma importante componente da nossa identidade cultural”, declarou.
Akesse Quadé assegurou ainda que o Ministério da Cultura, Juventude e Desporto tudo fará para garantir que o projeto de formação alcance todas as regiões do país, permitindo identificar e formar jovens talentos na construção de máscaras.
O responsável manifestou a esperança de que a iniciativa contribua para a revitalização das tradições carnavalescas e para o resgate de elementos culturais que marcaram o Carnaval guineense ao longo dos anos.
Por: Aguinaldo Ampa
















