O Ministro da Administração Territorial e Poder Local, Carlos Nelson Sano, defendeu a valorização dos produtos nacionais e a necessidade de garantir que o aumento da produção se traduza em alimentos acessíveis e melhores condições de vida para a população.
O governante falava esta sexta-feira, 16 de outubro de 2026, na abertura das celebrações do Dia Mundial da Alimentação, assinalado este ano sob o lema “Inovar Hoje para Alimentar Amanhã”.
Na ocasião, afirmou que inovar não significa apenas recorrer às novas tecnologias, mas também melhorar as técnicas de produção, reduzir as perdas pós-colheita, investir na transformação dos produtos locais e adotar práticas que protejam os recursos naturais.
O titular da pasta da Administração Territorial destacou ainda a importância de não ignorar os desafios das alterações climáticas, da irregularidade das chuvas, da degradação dos solos e das dificuldades económicas que afetam muitas famílias.
Carlos Nelson Sano enfatizou que a segurança alimentar exige a valorização do papel das mulheres e dos jovens no desenvolvimento do setor agrícola. O governante salientou que as mulheres desempenham um papel fundamental na produção, transformação e comercialização dos alimentos.
O ministro sublinhou que a data recorda que a alimentação não é um privilégio, mas uma necessidade essencial e um direito fundamental. Acrescentou que é difícil aspirar ao desenvolvimento sustentável enquanto muitas famílias continuam a enfrentar dificuldades para garantir uma alimentação suficiente, saudável e nutritiva.
Nelson Sano recordou ainda que a Guiné-Bissau dispõe de terras férteis, recursos hídricos abundantes, potencial agrícola e pesqueiro, além de comunidades que preservam conhecimentos tradicionais valiosos.
Segundo o governante, esse potencial só se transformará em prosperidade com o reforço da produção nacional, a melhoria das condições de conservação e comercialização dos alimentos e a garantia de acesso dos produtores a meios técnicos, financiamento e mercados.
Por sua vez, o representante da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), Ama Garba, afirmou que o principal desafio da organização não é apenas criar novas soluções, mas garantir que as inovações já comprovadamente eficazes sejam acessíveis, economicamente viáveis, adaptadas às realidades locais e disponibilizadas às populações que mais delas necessitam.
No seu discurso, Ama Garba destacou que a celebração do Dia Mundial da Alimentação decorre num contexto em que a FAO dedica especial atenção ao papel das mulheres agricultoras.
Segundo o representante da organização, dados de 2025 indicavam que cerca de 645 milhões de pessoas sofriam de fome em todo o mundo, enquanto uma em cada três não tinha acesso a uma alimentação saudável.
Garba afirmou que, na Guiné-Bissau, a ambição passa por apoiar os pequenos produtores, acrescentar valor aos produtos locais, melhorar o acesso à tecnologia, aos serviços de extensão rural, ao financiamento e aos mercados, além de reforçar as cadeias de valor nos setores da agricultura, pecuária, pesca, aquicultura e silvicultura.
O representante da FAO destacou ainda que a organização, juntamente com o Programa Alimentar Mundial (PAM) e o sistema das Nações Unidas, continua empenhada em apoiar o Governo e o povo da Guiné-Bissau na promoção de quatro prioridades: melhor produção, melhor nutrição, melhor ambiente e melhores condições de vida, sem deixar ninguém para trás.
Ama Garba garantiu que o Dia Mundial da Alimentação deve servir para transformar compromissos em ações concretas, assegurando que a inovação chegue a todos os produtores, comunidades e famílias.
Por sua vez, o secretário-executivo da ONG Asa e Socorro, Alfredo Cá, criticou o Governo por, segundo afirmou, ter entregue a soberania alimentar do povo “aos contentores e às tabernas”.
Cá defendeu ainda o enquadramento de jovens agrónomos, veterinários, engenheiros industriais e outros quadros qualificados que, segundo disse, permanecem afastados do mercado de trabalho há vários anos e podem contribuir para o desenvolvimento do país.
Por: Carolina Djeme


















