A Confederação das Associações dos Alunos das Escolas Públicas e Privadas da Guiné-Bissau (CAAEPP-GB) pediu ao Governo de transição o reforço dos mecanismos de fiscalização dos professores contratados, alegando que muitos docentes abandonam as escolas públicas para privilegiar atividades em estabelecimentos privados de ensino.
A posição foi tornada pública esta sexta-feira, 6 de novembro de 2026, pelo presidente da organização, Alfa Umaro Só, durante uma conferência de imprensa dedicada à situação do setor educativo.
Segundo a CAAEPP-GB, a falta de assiduidade de alguns professores contratados continua a afetar o normal funcionamento das aulas e a comprometer a qualidade do ensino nas escolas públicas.
“Há professores contratados que quase não lecionam nas escolas públicas porque trabalham simultaneamente em instituições privadas”, denunciou Alfa Umaro Só, defendendo uma intervenção mais firme das autoridades para travar a situação.
Além das preocupações relacionadas com a atividade docente, a organização estudantil contestou a decisão governamental de proibir as festas de tomada de diploma dos alunos finalistas, considerando que a medida não tem fundamento na atual conjuntura económica do país.
A confederação assegurou que os estudantes do 12.º ano pretendem realizar as respetivas cerimónias nos seus liceus, argumentando que se trata de iniciativas voluntárias, organizadas pelos próprios alunos.
“A tomada de diploma é um ato simbólico, espontâneo e de livre vontade dos estudantes. Não deve ser impedida”, sustentou o líder estudantil.
Durante a conferência de imprensa, Alfa Umaro Só acusou ainda a Associação dos Pais e Encarregados de Educação de ter influenciado a decisão adotada pelo Conselho de Ministros relativamente à proibição dessas celebrações.
Numa crítica às desigualdades no sistema educativo, o dirigente defendeu que os filhos dos governantes frequentem as mesmas escolas públicas que os filhos das famílias de menores rendimentos.
“Para promover a justiça na educação, é preciso que os filhos dos ministros estudem nas mesmas escolas que os filhos dos trabalhadores dos serviços gerais”, afirmou.
Por outro lado, a CAAEPP-GB saudou a decisão do Governo de avançar com a efetivação de cerca de cinco mil professores, considerando-a uma medida importante para a estabilidade do setor da educação.
Contudo, a organização alertou para a necessidade de o Executivo garantir capacidade financeira para cumprir as suas obrigações salariais e evitar futuros atrasos.
“Não queremos ver professores efetivados a reclamar salários em atraso ou dívidas acumuladas. Este processo deve ser tratado com seriedade e responsabilidade”, advertiu Alfa Umaro Só.
Por: Natcha Mário M’Bundé
















