Defesa pede avanço das investigações sobre linchamento de Olof Sambu

O advogado da família de Olof João Gomes Sambú apelou ao Estado guineense para acelerar as investigações e esclarecer as circunstâncias da morte da vítima, defendendo a responsabilização dos autores para que seja feita justiça e atenuado o sofrimento dos familiares.

“Tendo em conta a natureza do processo, onde há uma vítima mortal e as circunstâncias em que a morte ocorreu, o Estado deve assumir a sua responsabilidade”, afirmou Suleimane Cassamá.

O advogado falava esta sexta-feira, 6 de novembro de 2026, à saída de uma audição dos familiares de Olof Sambu no Ministério Público, realizada no âmbito das investigações em curso.

Em declarações à imprensa, explicou que a família foi convocada para prestar depoimentos como parte dos procedimentos normais do processo.

Segundo Cassamá, a diligência demonstra que o caso continua a ser investigado, facto que considera encorajador para os familiares.

“A família de Olof Sambu espera que a justiça seja feita e que a verdade sobre o caso venha ao de cima”, sublinhou.

Olof João Gomes Sambú morreu a 27 de setembro de 2026, na zona da Chapa de Bissau, vítima de um alegado linchamento público motivado pela circulação de informações falsas que o associavam a uma suposta tentativa de rapto de uma criança.

De acordo com as informações então divulgadas, a vítima foi intercetada por uma multidão que danificou a sua viatura e o agrediu, após suspeitas de envolvimento num alegado rapto.

Horas após o incidente, o Comando-Geral da Guarda Nacional esclareceu que Olof Sambu não era membro daquela força de segurança nem possuía qualquer vínculo à Brigada de Ação Fiscal (BAF).

A instituição informou, entretanto, que a vítima era funcionário civil da Direção-Geral das Alfândegas, onde exercia as funções de chefe da Antifraude e Fiscalização na Delegacia de Gabú.

Segundo a Guarda Nacional, o caso encontra-se sob investigação da Direção de Informação Policial e Investigação Criminal (DIPIC), entidade encarregada de apurar as circunstâncias da morte, identificar os responsáveis e promover a sua responsabilização criminal.

A audição dos familiares surge numa altura em que persistem pedidos de esclarecimento sobre o caso, considerado um dos episódios mais marcantes de violência popular registados este ano no país.

Por: Carolina Djeme

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