O técnico de futebol e mentor da Académia “Proteger os Talentos Guineenses”, Benelívio Cabral Nancassa Insali, pretende construir um edifício de raiz, onde funcionará a nova academia de futebol do país. A instituição visa, além de instruir as crianças a jogarem a bola, também criar condições para que os miúdos aprendam a ler e a escrever. A ideia é se a criança tiver treinos de manhã a tarde é terá que ir à escola. Insali considera de “ilegal e pequeno tráfico” a forma como os jovens futebolistas são levados do país para Europa.
A Academia “Proteger Os Talentos Guineenses” terá dois relvados sintéticos, um furo de água, um posto médico, uma secretaria e uma sala de videoconferência. Contará ainda com o seu sítio na internet para a divulgação das suas actividades.
Numa entrevista exclusiva ao semanário O Democrata, Benelívio Insali disse que a outra razão que o motivou a optar por um centro de futebol com características modernas é minimizar os falhanços na progressão dos jovens futebolistas guineenses. Na visão daquele técnico, esses falhanços têm a ver com a falta de preparação mental dos atletas e à falta de academias na Guiné-Bissau.
Para Nancassa, as academias são lugares ideais para a sensibilização das crianças, assim como para oferecer-lhes as mínimas condições de vida para, no futuro, quando saírem para outros países, principalmente europeus, não caírem na ilusão de deixar o futebol para outra vida. Acrescentou que assim os jovens teriam a noção de vida de luxo e dificilmente abandonariam o futebol por outra atividade.
Benelívio considerou de “pequeno tráfico” a forma como os agentes de futebol nacional estão a trabalhar nesse sector, acrescentando que é ilegal a maneira como os operadores na área de futebol fazem aquilo que denomina de “agrupar jogadores e dali repescar talentos” para vender na Europa. Sublinhou que nunca quis começar a sua academia levando jogadores para a Europa, mas confessou que actualmente é difícil pedir um apoio sem dar algo em troca, ou seja, o apoiante pede sempre uma contrapartida.
“Nos últimos tempos, temos tido situações que estão a acontecer em Portugal entre os nossos jogadores e os Serviços de Estrangeiros e Fronteiras (SEF). Alguns futebolistas guineenses permanecem ilegalmente em Portugal. Fica uma pergunta no ar: entre o empresário e o clube onde o jogador foi fazer os testes, quem abandonou o jogador? O SEF adoptou uma nova lei que obriga os futebolistas a terem a nacionalidade lusa, ou têm de convencer o clube no qual fazem os testes a dar um contrato que permita que o jogador fixe residência em Portugal”, explicou.
Para tornar seu sonho uma realidade, Nancassa Insali está a procurar parcerias de várias ordens, desde financeira para a edificação da própria académia-escola, mas também nos âmbitos de agenciamento de futebolistas, assim como nos aspectos jurídicos, principalmente em Portugal. Tudo isso no sentido de ajudar na futura integração e seguimento dos jogadores que futuramente vão sair da Académia “Proteger Os Talentos Guineenses”.
Confiante no seu projecto, Nancassa afirma que os seus planos são palpáveis. Prometeu levar o projecto junto das entidades que regem o futebol a nível do nosso continente e garantiu que o mesmo será depositado na sede da FIFA em Zurique, Suíça, para dar conhecimento à entidade máxima que rege o futebol mundial sobre a existência daquilo que Benelívio chamou de um projecto inédito na área de futebol de formação no nosso país.
Nancassa Insali mostrou-se optimista em receber, no futuro, apoios da FIFA, a exemplo de outros países como a Malásia, destinados às camadas em formação, como forma de erradicar a delinquência juvenil.
No que toca ao espaço onde a académia será construída, o técnico de futebol também jornalista desportivo, avançou que já solicitou ao governo guineense a cedência de um espaço para a edificação do referido centro de formação. As zonas preferidas pelo técnico de futebol para a construção da academia estão a via que liga o bairro de Bôr à Prábis ou também a via que liga Bissau à Nhacra.
Nos últimos meses Benelívio tem estado a manter contactos com empresários e agentes de futebol entre Espanha, Portugal e Alemanha, prometendo viajar para a Inglaterra já numa fase mais avançada do seu projecto, talvez com jogadores já formados pela academia “Proteger Os Talentos Guineenses” e colocá-los naquele que é o maior mercado do desporto-rei no mundo.
Saliente-se que Benelívio Cabral Nancassa Insali é mentor do projecto, mas conta com outros elementos que compõem a sua equipa, nomeadamente, padre Bernardo Gomes, arquitecto Jorge Malu, advogado Ivaristo Domingos Baticã, Adul Candé, Luís Mango, Edimilson Augusto Morata e Nicásia Silva.
Os eventuais apoiantes do projecto pediram que Nancassa enviasse três jogadores como prova do talento que futuramente a académia “Proteger Os Talentos Guineenses” produzirá. Também a académia pretende alargar a sua acção a nível nacional, através das deslocações regulares com vista a descobrir mais talentos, para não beneficiar apenas o Sector Autónomo de Bissau.
Por: Sene Camará





















