KOUMBA YALÁ DEIXA BOAS E MÁS RECORDAÇÕES AOS GUINEENSES

O ex-Presidente da República e fundador do Partido da Renovação Social (PRS), Koumba Yalá considerado por muitos como um dos combatentes da democracia guineense, morreu no passado dia quatro de Abril, vítima de “paragem cardíaca”, de acordo com as informações avançadas por membros da sua família. Yalá, que após 20 anos da luta política (1994/2014), acabou por sucumbir deixando para trás boas mas também más lembranças.

O homem do barrete vermelho que iniciou a sua atividade política no Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), desde o tempo do partido único e com ventos do multipartidarismo desvinculou-se do partido libertador e integrou a lista dos fundadores da Frente Democrática Social (FDS) em companhia do Rafael Barbosa. Pouco tempo depois, Koumba abandonou o comboio e fundou o Partido da Renovação Social (PRS), hoje segunda maior força política da Guiné-Bissau. Em apenas sete anos da sua existência como formação política, o PRS chegou ao poder através das eleições legislativas ganhas em 1999 com 38 mandatos. Um executivo de base alargada com a Resistência da Guiné-Bissau (RGB), o segundo partido mais votado no pleito organizado na sequência do conflito político militar que derrubou o regime do João Bernardo Vieira em Maio de 1999. As conquistas do PRS são consideradas para muitos observadores políticos como resultado da carisma do homem do barrete vermelho.

YALÁ DISPUTOU CINCO ELEIÇÕES PRSIDENCIAIS: GANHOU UMA E PERDEU QUATRO

Koumba Yalá participou em cinco eleições presidenciais (1994/2012), ganhou uma eleição (2000) e perdeu três (1994, 2005, 2009) e uma não foi concluída (2012). Em 2000, Cobde Nhanca conseguiu o maior desempenho eleitoral na história da democracia guineense vencendo na segunda volta com 72% o candidato apoiado pelo PAIGC, Malam Bacai Sanhá, que obteve apenas 28% de votos.

Em todas as eleições disputadas, Yalá sempre conquistou a segunda posição nos escrutínios com a exeção das presidenciais de 2005, onde ficou na terceira posição. O interesse político na altura levou o General Vieira e Yalá a fazer um “mariage” durante a segunda volta das presidenciais que opunha o independente Vieira ao Bacai Sanhá apoiado pelos libertadores.

Yalá foi o grande impulsionador da vitória do General Nino Vieira na segunda vollta das presidenciais em 2005, porque arrastou toda a máquina do partido para apoiar o seu antigo adversário. Foi do peso dos renovadores e de Yalá em particular, que resultou mais um “casamento” na criação do governo do Fórum no qual tomaram parte partidos e personalidades que apoiaram a eleição do General Vieira .

DE MAIORIA ABSOLUTA AO GOLPE DE ESTADO EM 2003

Na história da democracia guineense até a data presente, Yalá é a figura mais votada nas eleições e até gaba-se desse efeito. Chegou ao poder em 2000 com a maioria absoluta na mão e também era o seu partido que venceu as legislativas com a maioria relativa (38 mandatos), pelo que juntou-se com a segunda força política mais votada para formar um executivo de base alargada

A presidência de Yalá foi uma das mais criticadas no país, devido as suas constantes intervenções no executivo e da forma como geriu o Estado durante os três anos que governou a Guiné-Bissau. Nomeou quatro Chefes de Governos: Caetano Intchama, Faustino Fudut Imbali, Alamara N´Tchia Nhassé e Mário dos Reis Pires que chefiou o governo da iniciativa presidencial, na sequência da dissolução do Parlamento.

Formou o primeiro executivo com o Caetano Intchama e que tinha o Faustino Fudut Imbali como o vice-primeiro ministro, mas tarde exenorou Intchama e promoveu Imabali para chefiar o executivo. Depois foi o Eng. Alamara Nhassé e passados alguns meses dessolveu o parlamento, em consequência disso o executivo caiu e nomeou o seu amigo e um dos membros fundadores do partido de “Milho com Arroz”, Mário Pires para chefiar o governo da inciativa presidencial.

Vários analistas políticos acusaram Koumba de promover a “Balantarização da Administração Pública”. Uma acusação que o próprio Yalá dizia não ter fundamento prático tendo em conta a composição étnica do seu governo. Os quatro Chefes de executivo nomeados por homem de barrete vermelho não conseguiram parar com a desorganização de aparelho de Estado.

Cobde Nhanca se emiscuia até nos órgãos da soberania. Mandou destituir um presidente do Supremo Tribunal da Justiça e para seu lugar nomeou outro juíz. Uma atitude muito criticada na altura pelos seus opositores. Meses após a eleição de Koumba, registou-se igualmente uma sublevação militar que culminou com a morte do General Ansumane Mané e a detenção de alguns chefes militares.

A situação da crise governativa que se verificava naltura, sobretudo com a falta do pagamento de salários aos funcionários públicos que levaram dez meses sem receber, provocou o golpe militar liderado na altura pelo então Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas, General Virissimo Correia Seabra.

RETORNO DE COOPERAÇÃO COM A CHINA, MAIOR EFEITO DE YALÁ

O maior efeito conseguido por Presidente Koumba Yalá durante o seu mandato é a reativação de cooperação com a República Popular da China. O Presidente Vieira tinha cortado a cooperação com a China e assinou com o Taiwan, mas com a chegada do homem do barrete vermelho ao poder tomou-se a iniciativa de reativar a cooperação com a China.

O acordo de cooperação reativado por Yalá valeu ao país grandes obras que atualmente servem de cartão-de-visita para a Guiné-Bissau. O país beneficiou através da cooperação com a China Popular, a construção de Palácio Colinas de Boé (ANP), Palácio do Governo, Prédio dos Combatentes da Liberdade da Pátria, Hospital Militar e entre outros.

Essas grandes infrasestruturas foram conseguidas graças à coragem do Presidente Yalá de cortar a cooperação com a Taiwan e rubricar a parceria com a China Popular. Yalá é considerado homem de grandes obras, com destaque para a ponte de João Landim e a construção de troço que liga Jugudul e Amedalai (25 quilometros), Palácio do Povo, Casas para os Antigos Combatentes.

RETIRADA DE YALÁ NA VIDA POLÍTICA

Já no congresso dos renovadores realizado em Dezembro de 2013, Yalá surprendeu toda agente com a sua decisão de não concorrer a presidência dos renovadores. Uma decisão que uma boa parte dos seus apoiantes não acatou. Mas o homem do barrete vermelho decidiu seguir em frente com a decisão e apoiou perante os delegados a candidatura do atual presidente do partido, Alberto Nambeia.

Depois do congresso Yalá que estava a preparar a sua retirada da atividade política ativa, no dia um de Janeiro de ano em curso, declarou numa conferência de imprensa que abandonaria a vida política ativa. Passando 24 horas depois do anúncio da retirada da vida política, o político formado em Teologia e Filosofia em Portugal anunciou o seu apoio ao candidato independente, Nuno Gomes Nabiam que de acordo com ele, reúne mais experiência em relação aos seus companheiros no partido.

Por: Assana Sambú

Deixe um comentário

Seu e-mail não será publicado.