ESCÂNDALO DOS “TRONQUEIROS” NA ESTRADA DE LESTE

O Democrata constatou uma desordem extrema registada nesta segunda-feira, na localidade de Banduma, estrada que liga Bambadinca (portagem como é conhecido por muitos dos viajantes do leste) e Bafatá com bloqueio do troço desta localidade provocado por um cargueiro de madeiras.Um carro que impediu quase por completo a circulação das viaturas obrigou um desvio forçado de carros num local com enormes perigos de trânsito. Tudo porque para quem vai em direção a Bafatá terá que enfrentar uma pressão de ser obrigado a dominar o seu carro devido ao obstáculo que o cargueiro de madeiras impôs numa descida perigosa onde se encontrava. Para quem segue em sentido contrário (de Bafatá para Bissau), corre igualmente riscos do seu carro retroceder para trás, se não tiver boa potência para subir com calma a gigante subida de Banduma  para evitar eventual choque com cargueiro. A reportagem d’O Democrata esteve no local e fotografou esta imagem com auxílio e a simpatia de um dos repórteres da Rádio Nossa, que fazia também parte da equipa da imprensa que acompanhou a zona leste, a comitiva do candidato independente, Nuno Nabiam, apoiado nesta segunda volta das presidenciais de 18 de Maio, pelo Partido da Renovação Social (PRS).Sem condições para a retirada rápida do cargueiro de dois contentores da estrada, apenas um grupo de pouco menos de dez homens tentava descarregar dos contentores, os troncos para permitir que o carro girasse com facilidade e desencravar a estrada.Os motivos do bloqueio não foram revelados, pois ninguém quis contar o que terá acontecido com o carro de madeiras. Na equipa que tentava solucionar o problema encontrava-se um chinês, que se supõe tratar-se de um dos responsáveis, mas que também estava mergulhado na luta de desbloquear a estrada. Estranho é, que tudo isso aconteceu perto de Bambadinca quando eram quase quinze horas (15h), mas pelo menos nem um único polícia trânsito se dignou deslocar ao local para se inteirar da situação. Pouco agradável, o ambiente aborreceu imenso os passageiros, que exigiam “tirem este caro da estrada, estão a acabar a nossa madeira”, ouvia-se claramente dos passageiros, em sinal de protesto à liberdade de circulação. Ora, o que não se sabe também e que ainda continua a ser grande incógnita é o facto de tudo aquilo ter acontecido na barba da polícia local perante um silêncio ensurdecedor. Ou se tratou de um simples “suco de bas”? – a resposta caberá a cada um. Nos últimos tempos tem-se intensificado o abate abusivo das árvores em quase todos os cantos da Guiné-Bissau. Estradas praticamente danificadas pelos cargueiros de troncos, facto que tem levado os cidadãos de diferentes cantos do país e em diversas ocasiões a reclamarem a retirada dos tronqueiros, uma história que muitos receiam que sejam para breve, porquanto há ainda quem ganha com esta prática que mais tarde, segundo os ambientalistas, poderá trazer enormes problemas ao país a semelhança de alguns países vizinhos. Para além de tudo isso, ao lado do carro que bloqueou a estrada, estava um outro carro supostamente também carregado de madeiras já que os contentores se encontravam fechados. Em meados de abril, na última semana de campanha, dezenas de caminhões com contentores faziam fila na Avenida Amílcar Cabral e se acumulavam nas ruas adjacentes. Trata-se de uma das principais vias da cidade, entre o Palácio do Governo e o Porto de Bissau.Conforme ambientalistas e autoridades florestais guineenses todos os contentores carregavam troncos de madeira para serem exportados para a China. Também não é menos verdade que nas matas da Guiné-Bissau há pessoas a cortar madeira contra a vontade das populações, um fenómeno recente que os ambientalistas resumem numa única coisa: “Estamos a assistir a um desastre ecológico”.O corte de madeira sem controlo começou com maior intensidade no início do ano por todo o território da Guiné-Bissau, de acordo com as notícias que têm surgido repetidamente na imprensa guineense e internacional. Notícias de desmatação descontrolada na região de Farim, leste, na região de Cachéu, a norte, na região de Bafatá, também a leste e nas pequenas localidades de Oio( Morés e Bandjara), esta última localidade, quase já deserta.

 

Por: Filomeno Sambú

 

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