BACIRO DJA TOMA POSSE NO MEIO DE PROTESTOS

O Presidente da República, José Mário Vaz, empossou, hoje, 27 de maio 2016, Baciro Djá para chefiar novo governo, nome conseguido só depois da terceira ronda de auscultações aos partidos políticos com assento parlamentar depois de o PAIGC se ter mostrado “incapaz” de apresentar soluções governativas para salvar a presente legislatura interrompida pela crise.

Baciro Djá, novo Primeiro-Ministro, aponta como prioridades, pragmatismo no novo Governo priorizando boa governação, Cooperação Internacional e integração regional, Promoção de crescimento económico e a transformação estrutural, através da dinamização do sector criador de rendimento, desenvolvimento dos recursos humanos e a valorização da qualidade da vida dos cidadãos. Neste sentido, o novo chefe de Governo espera reforçar a autoridade de Estado que garanta a paz e a estabilidade.

Na sequência de protestos contra a nomeação de Baciro Djá, o governo demitido de Carlos Correia barricou-se desde ontem à tarde no palácio governamental, em solidariedade para com o Primeiro-Ministro detimido. Carlos Correia e o resto dos membros do seu Governo consideram “ilegal e inconstitucional” e, por isso, não reconhecem a nomeação de Baciro Djá como novo chefe de executivo guineense.

Uma nomeação decidida pelo chefe de Estado, José Mário Vaz, que já o tinha escolhido em agosto do ano passado, mas o interessado acabou por se demitir em menos de um mês depois, quando o Supremo Tribunal de Justiça decidiu considerar a sua nomeação inconstitucional.

CADI SEIDE AMEAÇA RESPONDER A QUALQUER PRESSÃO.

A Ministra da Saúde Pública do Governo demitido, Cadi Seide, ameaça responder qualquer pressão seja qual for, caso forem forçados a abandonar o palácio de Governo, ou seja, admite a possibilidade de entregar-se à morte para fazer valer a sua causa enquanto cidadã e governante demitida.

Cadi Seide reafirma ainda que a cúpula governamental vai permanecer no local até que o Presidente José Mário Vaz reconsidere a sua posição.

O responsável da Comunicação e Documentação do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo-Verde, Óscar Barbosa lamenta o facto de os militares estarem a agir contra as regras democráticas e constitucionais do país, pelo facto de força de Ordem impedir acesso à sede do partido.

Óscar Barbosa considera ainda isolada a intervenção da Polícia militar que saldou em ferimentos ligeiros e graves de manifestantes que se encontravam ontem, 26 de maio, a frente do palácio presidencial, horas depois da divulgação do decreto presidencial que nomeou Baciro Djá. Contudo, Barbosa espera a tomada de posições dos responsáveis militares com vista a responsabilização dos implicados no ato.

Tudo isso acontece no meio de uma situação em que Baciro Djá foi nomeado chefe de governo e num dia em que o Conselho de Segurança da ONU tinha decidido discutir, à porta fechada, a situação na Guiné-Bissau a pedido da Vizinha República do Senegal.

WANEP-GB PEDE FIM À CRISE.

Ainda da crise com fecho incerto, a Rede Oeste Africana Para Edificação da Paz apelou hoje, aos atores políticos para elegerem o diálogo construtivo e franco como estratégia para ultrapassar a crise política vigente na Guiné-Bissau que, segundo WANEP-GB, “em nada dignifica a democracia e o respeito pelos eleitores”.

Em comunicado na posse de O Democrata, WANEP-GB exorta às forças de defesa e segurança a manterem-se equidistantes das disputas político-partidárias em conformidade com os princípios ideais do Estado do direito democrático.

A finalizar, a Rede Oeste Africana Para Edificação da Paz apela à população em geral que mantenha a calma e a tranquilidade, exortando-a a evitar as situações de “forcing” que não ajuda a preservar o clima de paz e entendimento que se quer para o país.

Desde ontem as instituições do Estado estão a ser vigiadas pelas forças da defesa e segurança e a força policial da CEDEAO, ECOMIB.

 
Por: Filomeno Sambú

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