GOVERNO PROMETE INVESTIGAR “INFILTRADOS” NA MANIFESTAÇÃO E GARANTE REALIZAÇÃO DE ELEIÇÕES

O governo guineense, através do ministro da Presidência do Conselho de Ministro e Assuntos Parlamentares, Agnelo Augusto Regala, disse na noite de sexta-feira, 08 de fevereiro de 2019, que o executivo abrirá um inquérito para investigar as pessoas que se infiltraram na manifestação de estudantes para tirar proveitos e cometer atos de vandalismo, garantindo porém que o processo eleitoral é irreversível e que as eleições serão realizadas a 10 de março.

O governante falava aos jornalistas depois de uma visita efetuada ao hospital nacional Simão Mendes, para se inteirar do estado em que se encontravam os feridos da manifestação convocada pelo movimento estudantil “Carta’21” em conjunto com várias outras organizações estudantis. Deram entrada nos serviços de urgências do Hospital Nacional Simão Mendes cerca de 12 feridos, dos quais um em estado grave com problemas de traumatismo craniano e algumas escoriações nas pernas, mas os médicos garantem que se encontra fora de perigo.

Um médico do serviço informou aos jornalistas que não registaram nenhuma vítima mortal resultante da manifestação dos estudantes. 

De acordo com as informações apuradas da parte do executivo guineense, o hospital militar principal recebeu, nos seus serviços de urgências, cinco feridos em conseqüência das anifestações dos quais um com uma bala no braço, mas também  fora de perigo.

Regalla, lamentou os tumultos provocados pelos manifestantes, contudo sustentou que “em democracia o direito à greve e à manifestação são dados adquiridos para quem é democrata, mas a verdade é que houve excessos que acabaram por acontecer e gente que acabou por ser atingida, mesmos não estando envolvida nas manifestações”. Frisou que o executivo está a tentar ver agora o que se pode fazer em favor aquelas pessoas que foram atingidas e feridas em particular, como também procurar resolver as razões que estão na origem da manifestação.

Sobre a denúncia da polícia e da sociedade civil de envolvimento de pessoas estranhas infiltradas na manifestação, explicou que o executivo abrirá uma investigação. “Queremos que a verdade sobre esta situação seja esclarecida. Efetivamente nunca uma manifestação atingiu uma situação tão grave quanto esta. Nós sentimos que efetivamente houve um aproveitamento daquilo que foi uma manifestação ppacífica dos jovens da Carta 21”.

“Quando o governo falou com os jovens da Carta 21, eles decidiram retirar os seus associados. Mesmo assim continuou o vandalismo por parte de outros elementos que não são elementos da Carta 21. Ficou-nos clara a imagem de que alguém terá aproveitado da inocência dos jovens que apenas querem o direito que têm  à escola. Penso que as investigações irão prosseguir e as pessoas irão ser identificadas. Sabemos que vivemos um contexto muito complexo e estamos a aproximamo-nos das eleições. Há muita contestação e há muita gente que talvez não esteja interessada em que as eleições ocorram a 10 de março”, observou o ministro que substituiu o primeiro-ministro que se encontra em visita no exterior, para de seguida declarar que objetivo do governo é cumprir com o aquilo que foi agendado internamente e com a comunidade internacional, a realização das eleições a 10 de março.

Questionado se a reação tardia das forças de segurança deve-se a falta de voz do comando no ministério do Interior, respondeu que também o governo está preocupado com a questão da indigitação do ministro do Interior.

“Estamos a aproximarmo-nos das eleições legislativas e não temos um ministro do Interior. Sabemos que houve conversas entre o Primeiro-ministro e o Presidente da República e houve inclusive uma carta do Primeiro-ministro, apresentando uma proposta ao Presidente da República. Esperamos que, quando o Primeiro-ministro regressar ao país, teremos um ministro do Interior indigitado porque o país não pode ir às eleições sem um ministro do Interior”, explicou.

Interrogado se chegou a falar com o Comissário Nacional da Polícia de Ordem Pública sobre as medidas necessárias para parar os tumultos, disse que falou com o Secretário-geral do ministério do Interior, dando-lhe instruções que, havendo manifestações de jovens, que protegessem as instituições da República e que garantissem o correto desenrolar da manifestação, tendo frisado que em nenhuma ocasião o governo poderia admitir que houvesse violência contra jovens, que segundo ele, têm o direito de manifestar.

Em relação às reivindicações dos professores que estiveram na origem das manifestações, reconheceu que houve algum incumprimento daquilo que foi o memorando do entendimento. No entanto, assegurou que o executivo deu orientações ao ministério das finanças para que fossem encontrados os meios para o pagamento de dois meses em atraso, ou seja, um mês vencido, Janeiro e um mês atrasado que é o mês de Maio de 2018.  

Por: Assana Sambú

Foto: AS         

One comment

  1. Nao esta certo de pensar que existe infiltrados na manifestaçao o facto mostra claramente insuportaçao dos povos da guine bissau,O problema de educaçao é de preocupaçao de todos os guineenses desde 1994 nao votamos pra ter o país que temos ate agora,Nao quer fazer inquerito dos tesouros publicos roubados,verdadeiros curruptos,ladroes,assacinos sao os dirigentes deste país.Somos um povo,unidos seremos mais fortes,esquece inquerito.

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