Diretora executiva da ONG Voz de Paz: “ABERTURA AO MULTIPARTIDARISMO NÃO É RESPONSÁVEL PELA SITUAÇÃO ATUAL DO PAÍS”

[ENTREVISTA_Setembro_2019] A Diretora Executiva da Organização Não Governamental – Voz de Paz, uma organização que trabalha na promoção da paz na Guiné-Bissau, Udé Fati, negou que o multipartidarismo seja o responsável pela atual situação política em que se encontra o país e diz que os homens guineenses é que perderam o sentido ou a direção orientadora do pai fundador da nacionalidade guineense Amílcar Cabral, que considera de um pensador e orientador de caráter, de valor e de unidade nacional.

Em entrevista exclusiva ao semanário  O Democrata para falar dos 46 anos da independência, Udé Fati disse que a expetativa do povo guineense para o pós independência era muito grande, porque a preocupação de formar um homem de caráter, que pensa na unidade e justiça, imbuído dos valores para ser referência   era um dos pontos fortes a data da independência que justificava o esforço do pós independência para a construção de um Estado, de uma economia nacional, pensando no bem-estar da coletividade.

“Na verdade, a nossa geração pôs luta de libertação nacional assistiu com um pouco de orgulho de um país que lutou para conquistar a independência para ser dono do seu destino. Enquanto filha de um antigo combatente senti essa vontade. Aliás, toda a minha infância passei-a como pioneira e quando um combatente falava da luta de libertação, via-se claramente na sua cara o brilho de orgulho de um homem trabalhador e de consciência clara do que era trabalhar para o bem da coletividade”, detalhou.

Em análise da atual situação política, lembrou que as ideais que conduziram a luta eram claras, ou seja, a de um país tornar-se dono do seu próprio destino a fim de caminhar para uma vida melhor, respeitando sempre o bem comum num quadro de ver a África como um continente único, onde não deveria existir correntes separatistas, sem perder a expressão da sua cultura que era kmal maior para os colonialistas que tentavam tirar as pessoas das suas crenças para levá-las para outra realidade, sobretudo a europeia. Mas graças à determinação, na altura, dos movimentos de libertação criou-se uma ruptura com essa ideia que estava a ser implantada pelos colonialistas, mostrando-lhes que os africanos são um povo rico e civilizado.

Udé Fati foi bastante crîtico a opressores (colonialistas portugueses), porque, segundo disse, eram muito violentos, não só na pressão de força que exerciam sobre os trabalhadores (o povo guineense) como também não davam oportunidades às pessoas para irem à escola. A taxa de analfabetismo rondava os 99 por cento, uma situação que só mais tarde, com o surgimento de movimentos independentistas que começaram a criar políticas reformistas, que deu oportunidades aos camponeses e ao abrirem escolas.

PRESIDENTE DA RENAJ:JOVENS TÊM PAPEL PREPONDERANTE NO CENÁRIO POLÍTICO E SOCIAL DO PAÍS”

Convidado a falar sobre os 46 anos da independência do país, o presidente da Rede das Associações juvenis (RENAJ), Seco Duarte Nhaga, defendeu que os jovens guineenses têm um papel preponderante na tomada de decisões do cenário político, econômico e social do país porque representam mais de 60 por cento da população guineense.

Dados das últimas eleições legislativas no país apontam que 60 por cento dos eleitores que participaram no processo eram de jovens dos 18 aos 35 anos, mostrando como os jovens dispõem de força no paísque, se fosse aproveitado, bem poderia dar respostas aos desafios do desenvolvimento da Guiné-Bissau. Na sua observação, os jovens devem adotar uma postura diferente daquela que têm assumido até aqui, o que, segundo Seco Duarte N´haga, passa necessariamente por mostrar o interesse, compreendendo que o seu papel no cenário político ultrapassa fixar cartazes dos partidos políticos e ficar horas e horas nas plataformas ou em comícios populares oua a acompanhar os candidatos para irem depositar as candidaturas em troco de dois mil francos CFA.

 “O problema da Guiné-Bissau são as promessas, toda a gente está com ânsia do desenvolvimento, mas se não conseguirmos a estabilidade política, dificilmente poderemos ter um ensino de qualidade, ou uma saúde que responda às demandas da população e muito menos emprego para jovens. Por isso, a juventude deve ser capaz de impor a sua voz e ser ativa, participando não como mero instrumento  dos partidos políticos para alcançar o poder, mas, sim, ser capaz de ser protagonista de cenários políticos, representando-se de forma significativa nos órgãos decisores, quer dos partidos políticos quer das instituições públicas”, alertou.

O líder juvenil informou, no entanto, que enquanto jovenm almejava ver a Guiné-Bissau, depois de 46 de independência, um país diferente, orientado para estar num patamar dos países em via de desenvolvimento em que os jovens pudessem sonhar com progresso na vida, prosperidade e paz social, para que todos os cidadãos possam realizar os seus sonhos-

“Infelizmente, é um país subdesenvolvido em que a aspiração do povo está em torno das necessidades do progresso do país”, lamentou Seco Duarte Nhaga.

Por: Aguinaldo Ampa

Foto: A.A    

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