Trata-se de uma coletânea de contos editada pela primeira editora privada guineense e acontece no âmbito das celebrações do seu vigésimo aniversário que se assinala amanhã, 27 de junho, pelas 18 horas, no Centro Cultural Brasileira em Bissau.
“Ku si mon” foi criada em Bissau em 1994, a seguir a liberalização e à instauração do multipartidarismo, cujas áreas da sua intervenção centram-se na literatura (romances, contos, ensaios), a tradição oral (recolha de contos, provérbios, advinhas) e a linguística (dicionários analógicos bilingues).
A Editora publica igualmente textos em português e edições bilingues; kriol-francês e kriol-português e ocasionalmente tem proporcionado eventos artísticos através de exposições, notou a organização em nota envidada a’O Democrata.
A organização refere em comunicado que “a editora funciona através do trabalho não renumerado dos seus membros, que executam, em todo, as fases da edição prévia à impressão”.
A organização adianta ainda que as despesas são todas assumidas pelos elementos da Editora em função de aplicação das receitas na edição de novos títulos.
Membro fundador da “ Aliança dos Editores Independentes”, uma associação internacional que congrega 75 editoras de 42 países, sedeadas em Paris-França, a Ku si Mon publicou, em apenas quatro anos da sua existência, cerca de uma vintena (20) de títulos. Devido ao conflito político-militar de 1998/99, a sua sede foi atingida por bombardeamentos e desde essa altura perdeu boa parte do seu património.
Em 2003, a editora retoma seus trabalhos com a publicação do livro ”Contos da cor de Tempo”, uma coletânea de doze (12) contos, editada especialmente para celebrar os seus dez (10) anos de vida.
Esta, “ Ema vem todos anos”, depois de 20 anos, é a maior coletânea de contos do país. Contempla 23 contos da autoria de 11 escritores, dos mais jovens e “ talentosos aos já consagrados”, sublinha a nota.
Para assinalar os 20 anos da “ Ku Si Mon” vieram de exterior outros contos de outros autores para presenciar ao lançamento do “ Ema vem todos os anos”, nomeadamente do Brasil vieram os convidados da Claudiany, de Casablanca um do Hildovil, de Montréal um de Nelson, e de Lisboa vários do Marinho.
O carteiro Solano veio com a sua pasta azul de Dom Pedro, a capital da Paz, mais o Senhor Alceu, Araci e Amarildo. O infante bedel do Dotor está no bar em frente ao hospital, e Clarinha perdeu-se no caminho por culpa da nova-rica. Sentados na varanda, Lamine e Tchetchu comentam sem vergonha os que vão chegando e valter Nhaga tenta cobrir a cabeça para não o reconhecerem, enquanto feiosa da Didia aparece muito feliz saída da noite escura, encantada de ver o Mbeletcho e Julieta, que vai-lhe contar logo sobre um estranho que apareceu na sua cama. Luc Cousin, sempre de porta aberta aos espíritos, junta-se a Elvira, Ana e Amina, que discutem sem parar.
A organização lembra na sua nota que, antes de um conselho muito particular haveria negociatas, voam aviões por cima de Cohfeey em solidariedade, e depois vem uma cornada perigosa. No princípio há um regresso e no fim espera-se um reencontro, disse sapo-djidiu que cantava feito um vigia, conclui.
Por: Filomeno Sambú





















