Em entrevista a’O Democrata a nova Ministra da Educação Dra. Odete Costa Semedo justifica que não se trata da política, mas também não adianta em nada a história da passagem administrativa ou do ano nulo, quando o sistema contempla escolas privadas, escolas em regime de autogestão e as escolas madrastas, que estão dentro das chamadas escolas comunitárias, que tiveram aulas sem interrupção.
Outra aposta, será fazer que próximo ano letivo 2014/2015, comece precisamente a partir de outubro deste ano sem grandes estrangulamentos enquanto se está regularizando o processo de pagamento dos salários com a coordenação do Banco Mundial.
Odete Semedo disse que assumiu o ministério com a consciência de que é um Ministério com muitos problemas, mas passíveis de resolução, havendo apenas meios para o pagamento dos salários que considera “calcanhar do Aquiles do Ministério”. Todavia, ressalva que, o problema “não é só esse”.
A Ministra da Educação mostrou neste particular que, trabalhar como dirigente passa por lidar com competências, formação dos professores, dos alunos e a socialização das crianças, “pacote” que diz estar “inserido dentro dos grandes aspetos estruturantes do ministério”.
“Chegamos a esse ponto de ondas de paralizações, porque houve pagamentos dos salários que ainda estão atrasados, facto que prejudicou muito o ano escolar, porquanto foram vários dias sem aulas”, notou.
”Só nesse momento estamos a fazer um trabalho de “djunta Mon” com os parceiros sociais do Ministério da Educação” (Sinaprof, Sindeprof, CONAEGUIB, os Coletivos dos Alunos, Organizações dos país e encarregados da Educação, etc), explica.
A governante referiu que para evitar que o sistema educativo fique ou continue cada vez mais debilitado, foi necessário reunir todas essas partes e a conclusão chegada, foi pegar no trabalho de levantamento do que tinha acontecido até maio de 2014,um trabalho feito pelo anterior Ministro da Educação, para analisar.
A responsável pela pasta da educação sublinhou, no entanto, que mesmo assim, constatou-se que os dados resultantes do trabalho do levantamento (até maio de 2014), estavam “limpos”. E havendo a necessidades de serem vistos dentro do contexto daquilo que foi preconizado para ser o ano escolar concluído, chegou-se à conclusão que, haviam escolas com apenas trinta, cinquenta e sessenta dias letivos cumpridos.
“A partir dessa situação, pegamos num documento que o Ministro, a 27 de junho, já tinha enviado às escolas dizendo que, o ano letivo seria prolongado até agosto, mas esse instrumento não dá mais pormenores, diz só que “todas as escolas que não atingirem os setenta e cinco por cento dos dias letivos teriam que prolongar as suas aulas até ao mês de agosto”.
Segundo disse, o documento foi analisado e a questão que se levantou depois foi, se o ano letivo vai até agosto, faz-se o quê até o mês de agosto. Mas, o consenso alcançado no grupo de trabalho com os parceiros sociais do ministério apontava,“terminar o ano letivo na primeira semana de agosto e o ano escolar até final do agosto” e as restantes três semanas incluindo os sábados ficariam para proceder as provas de coordenação, exames e a publicação de notas.
“Outra proposta que nós acordámos, que veio do Sindicato Nacional do Professores é que o Ministério proceda à matrícula automática. Todos os alunos em classes intermédias devem ser matriculados automaticamente para depois regularizarem as suas matrículas, isso pouparia o nosso tempo”, realça esta governante encarregue do ensino na Guiné-Bissau.
Assim, notou, o mês de setembro, incluindo os sábados,seria para a organização do ano escolar 2014/2015(preparação do calendário escolar e letivo). Os seminários e as reciclagens dos professores, também fazem parte do pacote reservado ao mês de setembro próximo.
Odete Semedo revelou na mesma entrevista a’O Democrata, que a intenção de proceder aos seminários e as reciclagens, tem que ver precisamente com identificar os professores licenciados e mestrados para a área pedagógica para assegurar o décimo segundo ano de escolaridade, que carece dos professores.
Segundo asseverou, neste momento, está no terreno uma equipa de técnicos do ministério a trabalhar e o Fundo de ONU para Infância(UNICEF) está a trabalhar também no mesmo sentido e já apoiou na reprodução de matérias essenciais, neste momento em fase de distribuição às escolas do ensino básico e liceus.
Relativamente às escolas de formação agrupadas em Escolas Superior da Educação, Maria Odeta Semedo está optimista quanto à conclusão do ano letivo com sucesso nessas unidades escolares (Escola de Formação de Bolama,da EducaçãoNacional da Educação Física e Desportos, 17 de fevereiro e Tchico Té). Mas se até a data limite, houver escolas em situações em que não se tenha atingido cinquenta ou sessenta por cento, com indicações de que somados mais 20 ou 25 dias que ainda possam restar “os alunos dessas escolas vão ser considerados como se tivessem reprovados, pois não estarão em condições de prestar provas, nem participar das provas de coordenação e nem dos exames; mas se chegarem aos setenta dias, teremos o ano letivo escolar, cientificamente falando “salvo”, avisou.
“Não se trata da política e nem se deve fazer política no que respeita ao conhecimento do aluno, mas também não adianta em nada a história da passagem administrativa ou do ano nulo, se o sistema contempla escolas privadas, escolas em regime de autogestão e as escolas madrastas, que estão dentro das chamadas escolas comunitárias, que tiveram aulas sem interrupção”, advertiu notando pois, que a nulidade ou não do ano letivo dependerá em grande medida, dos resultados que vão sendo alcançados até a primeira semana de agosto.
Quanto ao caso Banco Mundial, Maria Odete Semedo confessa não ter tido ainda contato integral com situação, mas sublinha que já teve conversa com o coordenador das atividades de pagamento e o Diretor Administrativo e financeiro do ministério.
“Recebi aqui um grupo de professores de diferentes localidades, Oio, Biombo, Quinará,Tombali e alguns do setor Autónimo, que não tinham recebido até dia 16 de julho de 2014, mas tudo está resolvido, portanto a medida que os pagamentos estão sendo feitos, vou recebendo também os dados”, assegurou.
Segundo as explicações da Ministra da educação a’O Democrata tudo indica que a disparidade verificada no pagamento do Banco Mundial, estará ligada à questão dos nomes de alguns professores, com algumas “anomalias”.
“Há nomes que têm algumas anomalias, por exemplo eu me chamo Maria Odete da Costa Soares Semedo. Normalmente, as pessoas escrevem Odete Semedo. Nos dados do Ministério da Educação, Odete Semedo não existe, portanto tem que se corrigir os nomes”, explica especificando a partir de uma folha com nomes dos professores que tinha em mãos” se reparar bem, nesta ficha, tem o nome completo anterior e o nome completo atual” significa que, se no anterior espaço estava Adão F. Rodrigues, no segundo tem que ser Adão Francisco Rodrigues, porque esse F pode significar Adão Fernando Rodrigues e quando é assim exige-se a clareza, conclui.
Entrevistado pelo Nosso jornal, o Presidente de Confederação Nacional dos Estudantes da Guiné-Bissau (CONAGUIB) Mamadu Lamine Indjai asseverou na sua declaração a O´Democrata que o encontro que a ministra de educação tinha mantido com todos os actores envolvidos no processo educativo no passado dia onze de Julho visava analisar e ediscutir sobre a selecção de alguns conteúdos programados para realização dos exames e a prorrogação dos dias lectivos nas escolas públicas até final do mês de Agosto.
Segundo Mamadu Lamine Indjai,” há toda necessidade para prorrogação dos dias lectivos, porque o ano letivo 2013/2014 foi confrontado com ondas de paralisações recorrentes ao longo dos períodos”, facto que diz ter afetado muito os alunos e sobretudo os professores no que tem que ver com o cumprimento do calendário escolar e de alguns conteúdos programados.
O líder da Confederação das Associações Estudantis do país afirmou ainda que a prorrogação dos dias letivos serviria para que sejam compensadas algumas partes essenciais dos conteúdos para conclusão do ano letivo, apesar de reconhecer que ela não será com grande sucesso.
Na opinião de mamadu Lamine Indjai o aproveitamento desse ano lectivo é relativo, porque quase há uma década a Guiné-Bissau não tem conseguido um ensino almejado.
Neste sentido, defende deixar de lado as questões políticas e ir para prática “enquanto cidadão acho que as pessoas devem ser realistas e só assim se pode balizar certas coisas boas e deixar de lado as más e também se o governo não prioriza a educação dificilmente pode se pensar no ensino de qualidade e nunca o nosso sistema de ensino dará um passo a frente”, lamenta.
“Eu era da opinião que o ano letivo fosse invalidado, porque não devemos nos preocupar só com a passagem de classe deixando o saber se atendermos aos desafios da globalização que o mundo hoje se nos impõe no mercado competitivo, sobretudo a nível da UEMOA, CEDEAO, CPLP e a nível mundial, portanto não devemos nos preocupar com validade ou não do ano letivo. O que interessa é o aproveitamento, que no futuro faz de nós homens capazes e altura dos nossos colegas para mostrar a qualidade que temos” defendeu.
Lamine Indjai apela ao novo governo a se engajar seriamente e assumir as suas responsabilidades para que o ano letivo 2014/2015, seja um ano de referência onde não haverá interrupções por causa das greves recorrente no terreno.
Por: Filomeno Sambú/ Rafaela Iussufi Quetá





















