Com apoio de Marrocos: FAO ENTREGA MAIS DE CEM TONELADAS DE SEMENTES AGRÍCOLA AO MINISTÉRIO DE AGRICULTURA

A representação do Fundo das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) na Guiné-Bissau, entregou na manhã desta sexta-feira, 17 de julho de 2020, mais de 104 toneladas de sementes de grandes culturas ao governo guineense através do ministro de Agricultura e Desenvolvimento Rural, Abel da Silva Gomes. 

As sementes entregues visam mitigar os impactos negativos da pandemia do novo Coronavírus (Covid-19) na segurança alimentar e agricultura, como também apoiar os agricultores guineenses vulneráveis das regiões, a fim de fazer face à atual campanha agrícola de 2020.     

O donativo de mais de 104 toneladas de sementes é constituído por: 32,5 toneladas de sementes do arroz de bolanha de água doce; 32 toneladas de sementes do arroz de água salgada; 20 toneladas de sementes de milho; 9,65 toneladas de sementes do sorgo (midjo cabalo); 5 toneladas de sementes  de painço e 5 toneladas de sementes do amendoim (mancara).

A ajuda, de acordo com as informações, foi possível graças à reorientação do Projeto de Cooperação Sul-Sul (Guiné-Bissau/Marrocos e FAO), respondendo à solicitação dos produtores confrontados com restrições e fecho de fronteiras por causa da Covid-19, que impediu os produtores de comercializarem, em tempo normal, a castanha de caju, principal produto ou fonte de rendimento dos agricultores e da economia nacional. 

Segundo um documento entregue aos jornalistas, a FAO vai responsabilizar-se da entrega das sementes às direções regionais de agricultura e desenvolvimento rural, de acordo com o plano de distribuição emitido pelo diretor-geral da Agricultura. 

A cerimónia da entrega das sementes ficou marcada igualmente com a inauguração do laboratório para o combate à Lagarta Legionária de Outono, cuja construção, equipamento e formação de técnicos foi financiada pelo Banco Africano do Desenvolvimento (BAD). 

MINISTRO ABEL: “PAÍS TEM QUE INVESTIR NA AGRICULTURA ADQUIRIR DE 675 TRATORES AGRÍCOLAS”

Em reação ao gesto de solidariedade do governo marroquino implementado pela FAO no país, o ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Abel da Silva Gomes, apontou o setor da agricultura como sede para fazer face à fome e lutar para o desenvolvimento do país, apoiando os agricultores para que tenham mais e maior capacidade produção.

“Enquanto os agricultores não forem sensibilizados para produzirem mais e não se trabalhar na modernização da agricultura, o nosso maior desafio é e continuará ser a insegurança alimentar”, alertou.

Abel da Silva Gomes advertiu que as autoridades nacionais não podem distrair-se apenas com a situação da crise sanitária provocada pela Covid-19, mas sim montar estratégias necessárias para lutar contra a fome e trabalhar nos mecanismos que permitirão o país aumentar a sua produção a nível nacional. Lançou, por isso, um desafio aos técnicos do seu ministério, tanto a nível central como local, a colocarem as sementes à disposição dos agricultores e fazer  seguimento rigoroso da sua utilização, evitando que caiam nas máquinas de descasque de arroz ou pilão.

“Estamos seguros que se trabalharmos seriamente na agricultura, não haverá mais a necessidade de o país continuar a importar o arroz, porque tem potencialidades para fazê-lo. Mas é preciso que, tanto governo quanto os agricultores se empenhem mais, mas tudo isso passa por pensar numa agricultura intensiva e irrigada, não apenas na época das chuvas”, indicou.

Segundo Abel da Silva Gomes, para fazer face à fome, o país terá que investir na agricultura, fazer adquirir mais ou menos de 650 a 675 tratores agrícolas, não os atuais setenta e quatro (74), que nem conseguem cobrir grande extensão das terras aráveis que o país tem, bem como as motobombas de alto porte e apostar na agricultura na época da seca. Revelou que o seu ministério está a trabalhar “duro” para a abertura da Agência de Mecanização Agrícola, que terá como finalidade incentivar a atividade agrícola intensiva e modernizada que considera ser “muito importante para o país”. 

FAO EMPENHADA EM FAZER FACE AOS IMPACTOS SOCIOECONÓMICOS NEGATIVOS DO CONORAVÍRUS.

Em representação da representante da FAO, o representante assistente do programa daquela organização das Nações Unidas, Mário Reis, explicou na sua comunicação que todas as sementes foram adquiridas junto das associações de produtores de sementes, que foram criadas e formadas graças aos apoios de projetos da sua organização, bem como de outros parceiros de desenvolvimento. 

“A FAO, todo o sistema das Nações Unidas e demais parceiros técnicos e financeiros, em estreita colaboração com os Estados membros, estão empenhados nos esforços globais para enfrentar os impactos socioeconómicos negativos da Covid-19, particularmente no âmbito da iniciativa “Mão na Mão”, lançada recentemente pelo diretor-geral da FAO, Qu Dongyu”, assegurou. 

Na perspetiva de Mário Reis, a pandemia do novo Coronavírus vem alertar a população mundial sobre dois aspetos fundamentais, nomeadamente: a importância do investimento agrícola e a necessidade de cada país trabalhar com vista ao alcance da almejada soberania alimentar, bem como da importância da digitalização agrícola.

“Se repararem bem, todo o contato e todo o avanço que se conseguiu fazer neste momento está relacionado com reuniões virtuais, contatos virtuais, trocas de informações, partilha do saber fazer para permitir-nos todos juntos fazer face a esse grande flagelo”, notou.

Mário Reis aproveitou a ocasião para agradecer à cooperação sul-sul, particularmente o governo do reino de Marrocos que financiou a aquisição das sementes, como também enalteceu a parceria entre a FAO e o governo da Guiné-Bissau, em particular o seu parceiro privilegiado, o ministério de Agricultura e Desenvolvimento Rural. 

O representante assistente para o programa da FAO informou que a segunda parte desta cerimónia consiste na entrega do laboratório destinado ao combate a Lagarta Legionária de Outono.

Segundo Mário Reis, o laboratório foi construído e equipado no quadro de um projeto de emergência financiado pelo Banco Africano do Desenvolvimento (BAD), na sequência do projeto de cooperação técnica lançado pela sua organização, com o intuito de apoiar o ministério de agricultura no combate à lagarta legionária.  


Por: Assana Sambú

Foto: A.S

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