MINISTRO DA ECONOMIA ALEGA MUDANÇA NA ESTRUTURA GOVERNAMENTAL E DEMITE-SE

O ministro da Economia, Plano e Integração Regional, Victor Mandinga, demitiu-se da sua função, tendo justificado que a sua decisão deve-se à mudança da estrutura governamental.

Na carta endereçada ao primeiro-ministro guineense, Nuno Gomes Nabian,  a que a redação do semanário O Democrata teve acesso, o ministro demissionário justificou que a nomeação do vice-primeiro-ministro e igualmente ministro da Presidência do Conselho de Ministro e Coordenador da Área Económica, “os poderes de decisão e a cadeia de comando das ações governativas do ministério da Economia ficaram alteradas relativamente ao quadro na qual a minha nomeação ocorreu”. Fato que, segundo Vitor Mandinga, se traduzirá, na prática, no “esvaziar das minhas competências orgânicas”.

“Nos últimos meses, a minha convivência institucional, com o, até então, Conselheiro para área económica do Presidente da República, permetiu-me aquilatar que a minha visão, sufragada e aprovada pelo Conselho de Ministros e pela Assembleia Nacional Popular, sobre reformas e medidas de política económica, visando a transformação estrutural da nossa economia, é no essencial diferente da visão do agira vice-primeiro-ministro, em termos estratégicos, táticos e técnicos”, lê-se na carta datada de 5 de novembro de 2020.

No entender de Victor Mandinga, a sua continuidade no executivo “é perdas inúteis de energia inteletual, administrativa e técnica na elaboração de opções a submeter ao Conselho de Ministros, em matéria de política económica”, tendo em conta a inviolabilidade do seu capital político e técnico, que diz ter construído com muito sacrifício pessoal e familiar, durante muitas décadas, bem como a sua respeitabilidade de cidadão e as suas convições patrióticas, políticas e técnicas, o bom senso e a coerência.
Fatos que o recomendaram a sair do governo, para facilitar o trabalho do vice-primeiro-ministro e Coordenador da Área Económica”.

Victor Mandinga revelou que para além das razões evocadas na sua carta, tal como manifestou em pleno Conselho de Ministros, não subscreveu a proposta do Orçamento Geral do Estado para o ano económico 2021, porquanto o mesmo não tem em conta a principal reforma capaz de alavancar a economia nacional e colocar a nação na rota da emergência, ou seja, a reforma da função pública.

Insistiu na sua carta que defende um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), numa base inequívoca de reformar a função pública guineense, garantindo aos reformados e desvinculados saídas dignas [progressão na carreira para garantir uma reforma justa, após anos de congelamento da progressão e para os desvinculados sem idade de reforma indemnizar e financiar novo autoemprego em atividades privadas].

“É mais racionar realizar um investimento, uma só vez, e redimensionar e modernizar (transformação digital) a nossa função pública do que endividar-se durante décadas para pagar salários. Acho que não fui cumpreendido nesta matéria, por isso houve a decisão superior de aprovar o OGE 2021 tal como está”, contou.

Por: Assana Sambú

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