JORNALISTA ADÃO RAMALHO ESPANCADO POR HOMENS ARMADOS E ENCAPUZADOS

O jornalista e apresentador do programa matinal da Rádio Capital FM, Adão Ramalho, foi brutalmente agredido por elementos das forças de segurança vestidos à paisana, encapuzados e que portavam armas AK-47.  A revelação é do próprio jornalista numa conversa com O Democrata, para falar da agressão de que foi vítima por forças de segurança, na Praça dos Heróis Nacionais, quando foi cobrir a chegada do líder do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Domingos Simões Pereira, que agendara uma declaração à imprensa na sede do partido.

“Eu estava numa viatura, paramos a frente do restaurante Império. Abri a porta para sair do carro e dei-me logo com um polícia que me agarrou e puxou-me para fora do carro. Entretanto, apareceu outro vestido à paisana que me deu um soco no olho esquerdo” relatou o jornalista, que entretanto, avançou que as pessoas que lhe agrediram não vestiam fardas, mas portavam armas AK-47 em mãos.

O repórter da CFM explicou que foi levado ao médico por seus colegas jornalistas para que fosse observado no serviço de oftalmologia do Hospital Nacional Simão Mendes. Frisou que o médico disse que observou algumas deficiências ou irritações no olho provocadas pelo murro que apanhou, contudo  mandou-o voltar na próxima semana para fazer mais exames médicos. 

SUMBA NANCIL: AGRESSÃO AO NOSSO JORNALISTA FOI UM ATO PREMEDIDATO

Em reação à agressão ao seu jornalista, o diretor interino da Rádio Capital FM, Sumba Nancil, condenou o ato perpetrado por elementos das forças de segurança. Enfatizou que este é mais um passo negativo dado por um  grupo de pessoas que, segundo as suas palavras, tem como alvo a Rádio Capital FM.

“O repórter foi designado oficialmente para cobrir a chegada do presidente do PAIGC e foi agredido a luz do dia. Testemunhas relataram-nos que isso foi um ato premeditado por um grupo de pessoas, mas a informação que temos é que essas pessoas não faziam parte das forças designadas para assegurar a comitiva do PAIGC. É um ato lamentável e a realidade a que a rádio capital está a ser submetida, portanto condenamos com todas as forças estas agressões e ameaças”, assegurou.

Questionado se já efetuou algum contato com as autoridades nacionais ou organizações da classe, respondeu que ainda estão a recolher elementos e estabelecer contatos, tendo prometido que a rádio vai pronunciar-se oficialmente sobre o sucedido.

ORDEM DE JORNALISTA: ESPANCAMENTO DE JORNALISTA ADÃO É AJUSTE DE CONTAS

Na sua reação por via do telefone, Alfredo Maria Gomes, presidente da Mesa de Assembleia da Ordem de Jornalistas, considerou lamentável o sucedido. Explicou que provavelmente, alguém não ficou satisfeito com o trabalho do jornalista e optou por fazer um ajuste de contas, porque “não se compreende o porquê de ser o Adão, se no local havia dezenas de jornalistas, portanto isso demostra que na verdade, alguém queria fazer ajuste de contas e só que não sabemos a mando de quem e para que finalidade…”

“Esta situação é grave e não podemos jamais permitir estes acontecimentos num estado que se diz de direito e democrático. Se alguém sentir-se mal com o trabalho de um determinado jornalista, ou seja, se alguém entender que o Adão feriu a sua sensibilidade, que recorra à justiça que é o único caminho para fazer valer os seus direitos, mas não aproveitar-se da sua posição ou da farda para agredir o jornalista” disse para de seguida revelar que a Ordem de Jornalista pretende realizar brevemente um seminário que vai reunir as forças de segurança e os jornalistas, como forma de mostra-lhes que não são inimigos e que podem trabalhar juntos em situações similares.

Revelou ainda que a Ordem está a entabular contatos junto de outras organizações da classe dos jornalistas no sentido de constituir uma única frente e fazer um trabalho sério para traduzir a justiça todos os responsáveis de agressões e ameaças aos jornalistas e órgãos de comunicação social.

Entretanto, a presidente do Sindicato de Jornalistas e Tecnicos da Comunicação Social (SINJOTECS), Indira Correia Baldé, confirmou a O Democrata via telefone, que o sindicato vai apresentar uma queixa-crime, na próxima semana, contra o Estado da Guiné-Bissau, por raptos e espancamentos de jornalistas.

 

Por: Assana Sambú         

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