Figura da semana: FLORA GOMES VENCE O PRÉMIO McMILLAN-STEWART DE DISTINÇÃO EM CINEMA 2021

O cineasta guineense Flora Gomes foi distinguido com o prémio McMillan-Stewart de distinção em cinema, da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos da América (EUA), relativo ao ano 2021. Gomes conseguiu a distinção depois de receber votos por unanimidade, pelo júri composto por especialistas em cinema africano internos e externos da Universidade de Harvard, nomeadamente, académicos, curadores e cineastas. 

O júri destacou a criatividade formal e narrativa, a invenção e a política do seu trabalho enquanto um dos mais representativos cineastas africanos. 

O prémio premeia o cinema africano independente e é um estímulo aos criadores da sétima arte em África. Ao receber a distinção pelo seu trabalho, o cineasta guineense entra na lista dos grandes cineastas africanos, como Ousmane Sembeme, Souleymane Cissé, Alain Gomis e outros que já o receberam no passado da prestigiosa Universidade dos EUA. A distinção, que inclui a entrega de um valor monetário de 10.000 dólares, prevê também a deslocação de Flora Gomes a Boston, entre fevereiro e abril de 2022, para participar numa retrospectiva dos seus filmes a realizar na cinemateca e arquivo cinematográfico da universidade dirigida aos alunos de licenciatura e doutoramento.

BIOGRAFIA

Flora Gomes é natural de Cadique, uma vila e secção do setor de Bedanda, na região de Tombali, sul da Guiné-Bissau. Nasceu no dia 31 de dezembro de 1949. Filho de pais iletrados empenhou-se desde criança, lutando contra toda a espécie de dificuldades, para superar a sua condição social e de origem. Em 1972 estuda cinema em Cuba, no Instituto Cubano de Artes e Cinematografia, sob a orientação de Santiago Álvarez. Depois prossegue a sua aprendizagem no Senegal, no Jornal de Atualidades Cinematográficas senegalesas. Regressado ao seu país, filma a sua independência (24 de setembro de 1974), satisfazendo o desejo de Amílcar Cabral de serem os próprios guineenses a registar, em película, esse momento histórico.

Gomes é um cineasta pioneiro do cinema no país. É conhecido pelo modo original de traçar retratos africanos recorrendo ao mito e à história atual, numa fusão de elementos com delicada carga poética e forte sentido universal. O guineense, cuja cinematografia foi iniciada em 1988 com a longa metragem Mortu Nega, é premiado  pelo conjunto da sua obra, no qual se destacam também Udju azul di Yonta (Os Olhos Azuis de Yonta de 1992).

O último filme do cineasta guineense “Republica di Mininus” foi lançado em 2013. Neste momento, o cineasta está a trabalhar num documentário há mais de cinco anos sobre o pai das nacionalidades guineense e cabo-verdiana, Amílcar Cabral, que junta vários outros nomes do cinema.

Por: Alison Cabral

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