Embaixador Guo Ce: “EMBAIXADA ESTÁ ABERTA PARA APOIAR A EXPORTAÇÃO DA AMÊNDOA DE CAJÚ GUINEENSE PARA A CHINA”

[ENTREVISTA_junho_2021] O Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da República Popular da China na Guiné-Bissau, Guo Ce, afirmou que o governo chinês, através da sua Embaixada em Bissau, está aberto para apoiar a exportação de produtos agrícolas guineenses, em particular a castanha de cajú processada para a China. O diplomata fez estas afirmações durante uma entrevista conjunta à Televisão Nacional, à Radiodifusão Nacional, à Rádio Voz de Quelélé e ao Jornal O Democrata, no âmbito da comemoração dos cem anos do Partido Comunista Chinês (PCCh), que se assinala a 23 de julho.

Guo Ce disse que atualmente, vive-se no país a paz e a estabilidade política, por isso o governo deve trabalhar muito na implementação de políticas favoráveis às empresas privadas e capaz de atrair investidores estrangeiros, em particular, investidores chineses que, com essas políticas, poderão vir investir na Guiné-Bissau. Acrescentou que o governo deve empenhar-se no desenvolvimento do setor das indústrias, sobretudo nas indústrias de processamento da castanha de cajú para desta forma, exportar as amêndoas da castanha bem como outros produtos locais para a China.

“Se a parte guineense quer ou tem algumas demandas no que concerne a exportação de produtos agrícolas guineenses, por exemplo, a castanha de cajú para a China, a Embaixada estará sempre disposta para reforçar a cooperação nesta área com o governo da Guiné-Bissau”, assegurou.

ESTUDANTES NÃO PERDERÃO BOLSAS, MAS O REGRESSOS A CHINA DEPENDERÁ DA EVOLUÇÃO DA PANDEMIA

Sobre a possibilidade do regresso de estudantes guineenses a China antes do fim de ano em curso, o diplomata chinês disse que na verdade as autoridades guineenses, em particular os responsáveis do ministério dos Negócios Estrangeiros, já lhe abordaram várias vezes sobre este mesmo assunto.

Garantiu que os bolseiros guineenses em diferentes níveis da formação não vão perder as suas bolsas por causa da pandemia, contudo esclareceu que o regresso dos bolseiros a China depende essencialmente da evolução da pandemia de coronavírus a nível global.

“Neste momento regista-se novo tipo de coronavírus e também regista-se a terceira vaga da pandemia na África. Por isso não posso afirmar aqui a data ou o período em que os estudantes poderão regressar à China e retomar as aulas, mas as informações que temos é que a maioria das universidades chinesas já começaram a transmitir as matérias aos estudantes através da internet” assegurou o diplomata, para de seguida avançar que a Embaixada ofereceu dez computadores ao Ministério da Educação com o intuito de abrir uma sala de aulas virtual na Escola Nacional de Administração, por isso espera que esse gesto simbólico possa ajudar a resolver o dilema dos estudantes.

“Compreendo muito a situação, porque na verdade existe uma grande diferença entre as aulas online e offline” referiu e garantiu que vai transmitir a preocupação dos estudantes e das autoridades guineenses a Beijing. Aconselhou neste particular aos estudantes para se vacinarem contra o coronavírus, porque “no futuro será um fator condicional no pedido dos vistos de entrada para a China”.

Realçou que a situação política da Guiné-Bissau está cada vez mais estável com a liderança do Presidente Umaro Sissoco Embaló, tendo assegurado que a China está sempre disposta a trabalhar juntamente com o governo guineense para ampliar e reforçar a cooperação em vários setores incluindo na luta contra a pandemia de Covid-19, como também nos setores da saúde, agricultura, educação e nas infrastruturas.

“A China vai sempre apoiar a Guiné-Bissau no desenvolvimento socioeconómico interno para juntos construirmos uma comunidade de futuro compartilhado China – África. E ajudar na implementação de políticas favoráveis às empresas estrangeiras e atrair mais investimentos chineses”, disse o diplomata. 

Recordou que a amizade entre a Guiné-Bissau e a China foi estabelecida pelos próprios líderes históricos dos respetivos países.

Enfatizou que essa amizade foi consolidada no período da guerra de libertação nacional da Guiné-Bissau, tendo afirmado que no período da pandemia os dois países decidiram apertar as mãos e ajudar-se mutuamente o que na sua opinião, demostra a fraternidade entre os dois países em momentos de aflição.   

Solicitado a pronunciar-se sobre as críticas de fora sobre o PCCh e que ao longo de dezenas de anos de governação conseguiu estabelecer um regime através da sua ideologia e baseado no modelo comunista com outras características, explicou que o PCCh determinou o seu pensamento de governação de acordo com a situação real em cada momento. Frisou que o partido aprendeu com as conquistas sobre a segregação da sociedade humana, adaptando-as conforme a realidade chinesa.

“Nunca copiamos rigidamente o modelo do desenvolvimento de qualquer outro país. A China abriu o seu próprio caminho de socialismo com características chinesas e ligado ao desenvolvimento geral do país e à prosperidade comum do povo, bem como entrar na via expressa do desenvolvimento concreto nas áreas económicas, sociais e tecnológicas”, notou.

Questionado sobre as grandes realizações do PCCh durante estes cem anos na liderança do povo chinês, respondeu que o partido engajou-se muito na construção de uma comunidade maioritariamente confortável em todos os aspetos, bem como resolver o problema da pobreza absoluta que preocupava muito os chineses por centenas de anos. Afirmou neste particular que já se cumpriu a primeira meta centenária e que segunda meta é tornar a China num país socialista moderno e próspero.   

Por: Assana Sambú

Foto: Marcelo Na Ritche

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