DIRETOR TÉCNICO DENUNCIA “DESORGANIZAÇÃO” DENTRO DA FEDERAÇÃO DE FUTEBOL

O Diretor Técnico da Federação de Futebol da Guiné-Bissau (FFGB), o português, Guilherme Farinha, denunciou a “desorganização” dentro da estrutura da FFGB, que não lhe permitiu implementar o seu projeto para ajudar no desenvolvimento de futebol nacional durante quatro anos do seu contrato.

“Eu vou ser honesto, porque fiz tudo que estava ao meu alcance e penso que eu deveria ter feito mais, mas só que neste momento provavelmente eu encontrei uma FFGB “desorganizada” com algumas situações que eu rapidamente verifiquei que poderia ter algumas dificuldades em desenvolver o meu trabalho”, disse.

“Dá-me alguma sensação que algumas pessoas provavelmente não estarão interessadas em “organização, disciplina, regras e trabalho” e têm que andar a velocidade do turismo, velocidade lenta. Não pode trabalhar a minha velocidade ou a velocidade mais rápida”, afirmou Guilherme Farinha.
Farinha falava esta segunda-feira, 22 de novembro de 2021, no programa desportivo “Rádio Futebol” da Rádio Jovem Bissau para fazer balanço do seu desempenho de quase um ano à frente da direção técnica do órgão.

O técnico de futebol revelou que apresentou vários projetos, ideias e pontos da partida para desenvolver a sua atividade como diretor técnico, mas não teve oportunidade para implementá-los.

“Eu não quero culpar ninguém, mas é uma situação de que provavelmente durante estes anos o futebol da Guiné-Bissau esteve um pouco “estagnado”, ainda que o país conseguiu apurar para três Campeonato Africano das Nações (CAN), mas haveria muito para dizer e penso que eu tenho um “amargo na boca”, porque tentei fazer tudo. A minha obrigação é respeito pela hierarquia e respeito pelo meu presidente que me contratou, o senhor Carlos Mendes Teixeira, e respeito pelo Comité Executivo da FFGB naturalmente, mas senti que várias pessoas não me respeitaram”, lamentou.

Sem apontar dedo a nenhum membro da FFGB, incluindo o próprio presidente do órgão, o diretor técnico de 65 anos, revelou ainda que a FFGB não permitiu a direção técnica nacional “fomentar, organizar e dinamizar o futebol da Guiné-Bissau”.

Segundo explicação do Guilherme, a Guiné-Bissau dispõe de enormes talentos, tanto masculino quanto feminino, por isso, o país merece um trabalho com muita qualidade e merece uma dedicação total ao futebol. Embora desapontado por não conseguir desenvolver os seus projetos, Farinha pede uma proteção “divina e sagrada” aos jovens talentos futebolistas nacionais.

Questionado se vai apresentar a demissão perante esta situação, Farinha promete respeitar o contrato rubricado com a FFGB, uma vez que apresentou as ideias para futuro de futebol junto do presidente do órgão, Carlos Mendes Teixeira.

“Vou continuar a trabalhar em prol do futebol da Guiné-Bissau, porque eu defendo que há muito por fazer. Agora têm que me deixar fazer esse trabalho criando condições, caso contrário, é melhor fazer as malas ir embora”, vincou o técnico.
Farinha foi contratado em Janeiro último pelo presidente da FFGB para assumir a pasta do diretor técnico do órgão, em substituição de Jerónimo Mendes, por causa da “sua vasta experiência e o conhecimento ao futebol nacional”, uma alusão ao fato de ter sido, nos anos de 1990, técnico principal da selecção sub-17.

Na altura, Carlos Mendes Teixeira defendeu que a escolha de Guilherme Farinha vai ao encontro daquela que é a sua visão, reformular e desenvolver o futebol local, para desta forma cimentar as bases da selecção nacional.

Após a sua chegada a Bissau, Farinha prometeu dar o seu total apoio ao presidente do organismo, para desenvolver o futebol nacional e dar maior atenção à camada de formação.

Por: Alison Cabral
Foto: AC

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