PJ DETÉM EMPRESÁRIO MOHAMED ZAIDAN POR VENDA DE ARROZ “IMPRÓRIO”

O Empresário libanês Mohamed Zaidan foi detido, sábado último, por cerca de 20 horas pela Polícia Judiciária (PJ) por cometer crime de atentado à saúde pública. A PJ seguiu e confirmou as denúncias anónimas de que o empresário, proprietário da conhecida empresa “COGEGUI” especializada na importação de arroz e exportação de castanha de caju, terá colocado no mercado guineense uma grande quantidade de arroz imprópria, importada do estrageiro.

A nossa fonte confirmou que os agentes da PJ, após terem colhido as informações sobre a venda no mercado do arroz imprório, deslocaram-se aos armazens suspeitos e constararam in louco a má qualidade deste principal produto vendido aos consumidores guineenses. Segundo o nosso informador, os inspectores da PJ, uma vez no local, abriram um saco de 50 kg de arroz, de marca “Solo” e descobriram que o cereal não tinha condições mínimas para o consumo. De acordo com a nossa fonte, a empresa “COGEGUI” ao descobrir que o cereal importado não tem qualidade devido à humidade durante a importação, decidiu trocar os sacos. Assim, comprou novos sacos e mudou o arroz impróprio para novos sacos adquiridos em Dakar (Senegal) de marca “Solo” e “Falcon” .

“A empresa, para minimizar a perda que ia resultar da importação de arroz impróprio, optou por uma estratégia crimonosa de colocar no mercado um produto já danificado para os consumidores”, explicou o nosso informador. O Democrata apurou que o empresário Zaidan passou uma noite dentro da cela da PJ situada no mercado de Bandim, em companhia do seu responsável de operações, Abass Camará.

A PJ levou a cabo a operação que culminou na detenção do Zaidan juntamente com os agentes da Inspeção do Ministério do Comércio nas instalações da empresa que se encontra na zona industrial de Brá.

De acordo com as informações, os agentes da PJ flagraram os trabalhadores da empresa a fazer o enchimento do arroz danificado nos novos sacos da marca “Solo” e “Falcon” bem como a sua costura no local.

Conforme as mesmas informações avançadas pela nossa fonte, além da detenção do patrão da empresa pela PJ no local e do responsável de operação da empresa, Abass Camará, os agentes da Inspeção do Comércio, por sua vez, decidiram retirar a empresa o seu “Alvará”, o documento que concede o direito de exercer actividades de importação e exportação no país.

Ainda o nosso jornal soube que o empresário foi ouvido pela PJ, por volta das 19 horas no Sábado, à luz de velas. Depois da audição de Zaidan, na presença dos seus advogados, a PJ decidiu mantê-lo em detenção por crime de atentado à saúde pública.

O Democrata soube, igualmente, que o empresário passou a noite dentro da cela da PJ, não obstante fortes pressões provenientes de vários círculos de influência da nossa praça com objectivo de libertar o empresário.

Numa conversa mantida com os trabalhadores da empresa que pediram anonimado, estes confessaram ao nosso jornal que, na verdade, o arroz estava danificado, ou melhor, impróprio para o consumo humano.

“Transportámos várias toneladas deste arroz danificado para o abastecimento do mercado e certamente que o produto já está a ser consumido pela população. Na verdade, o arroz não está em condições de ser consumido, mas temos o medo de fazer denúncias para não perdermos os nossos empregos; o certo é que a grande quantidade deste cereal já está no mercado nacional”, avançaram os empregados, visilmente tristes de não terem denunciado o assunto junto das autoridades competentes.

Logo depois do proprietário da empresa “COGEGUI”, Mohamed Zaidan ter sido preso no Sábado, podia se constatar a presença de dezenas de empresários e personalidades influentes nas instalações da PJ em Bandim, um claro sinal de influência deste homem de negócio no meio da classe empresarial nacional.

O nosso jornal apurou, igualmente, que houve muitas pressões da parte de responsáveis das instituições de Estado, bem como de figuras políticas, que pediam insistentemente a libertação do empresário, não obstante o facto deste ter sido detido em flagrante delito. Conforme as informações apuradas, a PJ pretendia guardar o empresário na cela até segunda-feira próxima, a fim de aprsentá-lo aos magistrados do Ministério Público. Mas, o influente empresário acabou por ser libertado mediante um atestado médico apresentado pelos seus advogados, em como ele padece de hipertensão e por isso as autoridades judicias resolveram soltar o suspeito.

A PJ libertou Mohamed Zaidan no domingo, por volta das 16 horas, sob o termo de identidade e residência vigiados. Ainda conforme as informações, a PJ vai apresentar o empresário junto do Ministério Público na segunda-feira (7 de outubro), instituição competente para instaurar um processo contra o suspeito.

Ainda segundo os nossos informadores, assiste-se muitas movimentações junto da Procuradoria Geral da República por parte de representantes da empresa e de outras pessoas influentes, no sentido de obter a devolução do Alvará da empresa. Uma fonte do Ministério do Comércio confiou ao nosso repórter que é muito provável que documento seja rapidamente devolvido à empresa, alegando pressões.

O Democrata apurou, igualmente, que existe arroz impróprio em várias toneladas, pertencente a um outro empresário da nossa praça pública e que se encontra armazenado num dos armazéns situado em Alto Bandim, não longe das instalações das Nações Unidas.

O nosso jornal soube ainda que algumas pessoas da empresa têm a intenção de comercializar este arroz e pretendem encomendar novos sacos no estrangeiro. Mas, de momento, o proprietário da empresa se encontra ausente do país, razão pela qual estão com dificuldades de começar a operação de distribuição.

 

Por: Assana Sambú 

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